quarta-feira, julho 07, 2010

A mesa ao lado


Houve um tempo que quando íamos a algum restaurante e percebíamos que na mesa ao lado havia uma pessoa sozinha, ficávamos conversando sobre o motivo que levava uma pessoa estar num local que se presume ser de diversão, de conversas. O bom de ir a um restaurante é justamente isso, ter o prazer de beber, comer e no meio dessas duas coisas conversarem sobre a vida, rir, dizer besteiras, resolver os problemas do mundo, enfim, divertir-se. A mesma coisa penso sobre ir ao cinema. Ir sozinho não dá. Pelo menos não pra mim, não há coisa melhor do que sair comentando sobre o filme. Até mesmo para dizer que foi uma droga. Qual a graça de fazer esses programas só? Como eu sempre estive muito bem acompanhado nesses programas todos sentia pena e não entendia esses solitários.

Eu e Edu algumas vezes fazíamos uma brincadeira que era de tentar adivinhar o motivo que levou aquela pessoa estar ali sozinho. Virava uma distração criar estórias para aquela situação. Algumas vezes a maluquice chegava a tal ponto que dávamos nome ao personagem. Mas o interessante nessas palhaçadas toda é que nunca nos passava pela cabeça que aquela pessoa estivesse ali triste por um luto, e que sua presença naquele local era apenas uma tentativa de recomeçar uma vida. A fantasia criada sempre girava em torno de separações e brigas.

Pois agora eu sou essa pessoa da mesa ao lado. Tenho tentado fazer coisas sozinho, já fui ao cinema duas vezes e posso garantir que não há coisa mais triste que ao sair do cinema, querer comer algo e sentar num restaurante sozinho. Mesmo sendo falastrão como sou, o sair do cinema e não ter com quem comentar foi até fácil, mas enfrentar o restaurante não foi nada agradável. Não é prazeroso. Falta alguma coisa. Pedir uma bebida e ficar esperando o prato é muito deprimente. Beber sozinho já é ruim, ainda mais sentado numa mesa de restaurante. A vontade que dá é pedir o prato mais simples, comer rapidamente e sair fora. Olho pro lado e agora vejo grupo de pessoas rindo, se divertindo e penso que talvez algum maluco ali dentro deve estar me analisando também. Minha vontade é de tomar mais uns goles e acabar com a brincadeira gritando para todo mundo que o motivo de estar ali sozinho é porque agora sou viúvo, e recente, de um casamento que ainda se tinha muito amor. E entrei ali não só porque estava com fome, mas porque quero saber oque posso fazer sozinho sem me sentir solitário. E comprovadamente comer sozinho em restaurante não dá. Melhor ir num fast food que vale mais a pena.

Não sei se vou perder essa mania de observador só porque agora passei para a mesa ao lado, mas com certeza vou incluir nas minhas invenções a morte de uma pessoa muito querida quando vir uma pessoa sozinha em lugares cheios de gente.

terça-feira, julho 06, 2010

O homem não aceita mais ficar triste

ENTREVISTA DA ISTO É , do médico Miguel Chalub. Algumas pessoas me ridicularizaram quando disse que estava fazendo terapia. Mas essa entrevista desse profissional tão renomado comprova que foi o melhor que fiz.
Uma das maiores autoridades brasileiras em depressão, o médico diz que, hoje, qualquer tristeza é tratada como doença psiquiátrica. E que prefere-se recorrer aos remédios a encarar o sofrimento.

Chalub afirma que muitos médicos se rendem aos laboratórios farmacêuticos e Indicam antidepressivos sem necessidade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que a depressão será a doença mais comum do mundo em 2030 – atualmente, 121 milhões de pessoas sofrem do problema. Para o psiquiatra mineiro Miguel Chalub, 70 anos, há um certo exagero nessas contas. Ele defende que tanto os pacientes quanto os médicos estão confundindo tristeza com depressão. “Não se pode mais ficar triste, entediado, porque isso é imediatamente transformado em depressão”.

Professor das universidades Federal (UFRJ) e Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), ele afirma que os psiquiatras são os que menos receitam antidepressivos, porque estão mais preparados para reconhecer as diferenças entre a “tristeza normal e a patológica”. Mas o despreparo dos demais especialistas não seria o único motivo do que o médico chama de “medicalização da tristeza”. Muitos profissionais se deixam levar pelo lobby da indústria farmacêutica. “Os laboratórios pagam passagens, almoços, dão brindes. Você, sem perceber, começa a fazer esse jogo.” "Há a tendência de achar que o medicamento vai corrigir qualquer distorção humana. É a busca pela pílula da felicidade"

Por que isso aconteceu?

A palavra depressão passou a ter dois sentidos. Tradicionalmente, designava um estado mental específico, quando a pessoa estava triste, mas com uma tristeza profunda, vivida no corpo. A própria postura mostrava isso. Ela não ficava ereta, como se tivesse um peso sobre as costas. E havia também os sintomas físicos. O aparelho digestivo não funcionava bem, a pele ficava mais espessa. Mas, nos últimos anos, a palavra depressão começou a ser usada para designar um estado humano normal, o da tristeza. Há situações em que, se não ficarmos tristes, é um problema – como quando se perde um ente querido. Mas o homem não aceita mais sentir coisas que são humanas, como a tristeza.

A que se deve essa mudança?

Primeiro, a uma busca pela felicidade. “Eu não sou feliz porque estou doente, não porque fiz opções erradas.” Dou uma desculpa a mim mesmo. Segundo, à tendência de achar que o remédio vai corrigir qualquer distorção humana. É a busca pela pílula da felicidade. Eu não preciso mais ser infeliz.

O que diferencia a tristeza normal da patológica?

A intensidade. A tristeza patológica é muito mais intensa. A normal é um estado de espírito. Além disso, a patológica é longa.

Quanto tempo é normal ficar triste após a morte de um ente querido, por exemplo?

Não dá para estabelecer um tempo. O importante é que a tristeza vai diminuindo. Se for assim, é normal. A pessoa tem que ir retomando sua vida. Os próprios mecanismos sociais ajudam nisso. Por que tem missa de sétimo dia? Para ajudar a pessoa a ir se desonerando daquilo.

Quais são os sintomas físicos ligados à depressão?

Aperto no peito, dificuldade de se movimentar, a pessoa só quer ficar deitada, dificuldade de cuidar de si próprio, da higiene corporal. Na tristeza normal, pode acontecer isso por um ou dois dias, mas, depois, passa. Na patológica, fica nas entranhas.

Ainda há preconceito com quem tem depressão?

Não. É o contrário. A vulgarização da depressão diminuiu o preconceito, mas criou outro problema, que é essa doença inexistente. Antes, a pessoa com depressão era vista como fraca. Hoje, as pessoas dizem que estão deprimidas com a maior naturalidade. Não se fica mais triste. Se brigar com o marido, se sair do emprego, qualquer motivo é válido para se dizer deprimido. Pode até ser que alguém fique realmente com depressão, mas, em geral, fica-se triste. O sofrimento não significa depressão. E não justifica o uso de medicamentos. A causa deles é que tem que ser vista.

Os médicos não deveriam entender este processo?

Os médicos não estão isentos da ideologia vigente. O que acontece é: você vem ao meu consultório. Eu acho que você não está deprimido, que está só passando por uma situação difícil. Então, proponho que você faça um acompanhamento psicoterápico. Você não fica satisfeito e procura outro médico, que receita um antidepressivo. Ele é o moderno, eu sou o bobão. Para não ser o bobão, eu receito um antidepressivo logo.

É uma demanda inconsciente?

Os médicos querem corresponder à demanda. Senão, o paciente sairá achando que não foi bem atendido. Receitando um antidepressivo, eles correspondem à demanda, porque a pessoa quer ser enquadrada como deprimida. Mas há a questão dos laboratórios. Eles bombardeiam os médicos.

A ponto de influenciar o comportamento deles?

Se for um médico com boa formação em psiquiatria, mesmo que não seja psiquiatra, ele saberá rejeitar isso, mas outros não conseguem. Eles se baseiam nos folhetos do laboratório. Não é por má-fé. Os laboratórios proporcionam muitas coisas. Pagam passagens, almoços, dão brindes. O médico, sem perceber, começa a fazer o jogo. Porque me pagaram uma passagem aérea ou me deram um laptop, acabo receitando o que eles estão querendo.

O médico se vende?

Sim. Por isso é que há uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária proibindo os laboratórios de dar brindes aos médicos. Nenhum laboratório suborna médico, não que eu saiba, nem vai chegar aqui e dizer: “Se você receitar meu remédio, vou lhe dar uma mensalidade.” Mas eles fazem esse tipo de coisa, que é subliminar. O médico acaba tão envolvido quanto se estivesse recebendo um suborno realmente.

Esse lobby é capaz de fazer um médico receitar certo remédio?

Aí é a demanda e a lei do menor esforço. Se o paciente chegar se queixando de insônia, por exemplo, o que o médico deveria fazer era ensiná-lo como dormir. Ou seja, aconselhar a tomar um banho morno, um copo de leite morno, por exemplo. Mas é mais fácil, tanto para o paciente quanto para o médico, receitar um remédio para dormir.

Os demais especialistas também receitam remédios psiquiátricos, não?

Quem mais receita antidepressivos não são os psiquiatras, são os demais especialistas. Os psiquiatras têm uma formação para perceber que primeiro é preciso ajudar a pessoa a entender o que está se passando com ela e depois, se for uma depressão mesmo, medicar. Agora, os outros, não querem ouvir. O paciente diz: “Estou triste.” O médico responde: “Pois não”, e receita o remédio. Brinco dizendo o seguinte: se você for a um clínico, relate só o problema clínico. Dor aqui, dor ali. Não fale que está chateado, senão vai sair com um antidepressivo. É algo que precisamos denunciar.

Os psiquiatras deveriam ser os únicos autorizados a receitar esse tipo de medicamento?

Não acho que seja motivo para isso. Os outros especialistas têm capacidade de receitar, desde que não entrem nessa falácia, nesse engodo.

É comum o paciente chegar ao consultório com um “diagnóstico” pronto?

É muito comum. Uma vez chegou um paciente aqui que se apresentou assim: “João da Silva, bipolar.” Isso é uma apresentação que se faça? Quase respondi: “Miguel Chalub, unipolar.” É uma distorção muito séria.

O acesso à informação, nesse sentido, tem um lado ruim?

A internet é uma faca de dois gumes. É bom que a pessoa se informe. Mas a informação via Google ainda é precária. Muitas vezes, a depressão, por exemplo, é ansiedade. Mas as pessoas não querem conviver com a ansiedade, que é uma coisa desagradável, mas que também faz parte da nossa humanidade. Tenho uma paciente que disse: “Ando com um ansiolítico na bolsa. Saí de casa, me aborreci, coloco ele para dentro.” Então é isso? Se alguém me fala algo desagradável, eu tomo um ansiolítico? Isso é uma verdadeira amortização das coisas. Porque não procurar um Psicanalista, para se entender melhor ?

O que causa a depressão?

Esse é um dos grandes mistérios da medicina. A gente não sabe por que as pessoas ficam deprimidas. O mecanismo é conhecido, está ligado a uma substância chamada serotonina, mas o que o desencadeia, não sabemos.
Há teorias, ligadas à infância, a perdas muito precoces, verdadeiras ou até imaginárias – como a criança que fica aterrorizada achando que vai perder os pais. As raízes da depressão estão na infância. Os acontecimentos atuais não levam à depressão verdadeira, só muito raramente. Justamente o contrário do que se imagina. Mas mexer na infância é muito doloroso às vezes , mas é o que resolve . Não tem remédio para isso.
Precisa de Terapia, de Análise, mas as pessoas fazem corpo mole, não querem mexer nas feridas. Colocam um esparadrapo, para não ficar doendo, e pronto. É a solução mais fácil , mas não se chega a lugar nenhum com isso.

O antidepressivo é sempre necessário contra a depressão?

Quando é depressão mesmo, tem que ter remédio e Análise ou Terapia.

Há quem diga que hoje a moda é ter um psiquiatra, não um analista. O que sr. acha disso?

As pessoas estão desamparadas. Desamparo é uma condição humana, mas temos que enfrentá-lo, assim como o fracasso, a solidão, o isolamento. Não buscar psiquiatras e remédios. Não é me dar pílulas, para eu ficar amortecido. Importante é saber a causa dos problemas para resolvê-los.

O que é felicidade para o sr.?

Felicidade, para mim, é estar bem consigo mesmo e com o outro. Estar bem consigo mesmo é também aceitar limitações, sofrimento, incompetências e fracassos. Mas com uma Terapia a gente sempre melhora !!!!!!!!!!!!!

segunda-feira, julho 05, 2010

POEMA DE DESPEDIDA DE AMIGO...

Se eu morrer antes de você, faça-me um favor. Chore o quanto quiser, mas não brigue com Deus por Ele haver me levado. Se não quiser chorar, não chore. Se não conseguir chorar, não se preocupe. Se tiver vontade de rir, ria. Se alguns amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente sua versão. Se me elogiarem demais, corrija o exagero. Se me criticarem demais, defenda-me. Se me quiserem fazer um santo, só porque morri, mostre que eu tinha um pouco de santo, mas estava longe de ser o santo que me pintam. Se me quiserem fazer um demônio, mostre que eu talvez tivesse um pouco de demônio, mas que a vida inteira eu tentei ser bom e amigo. Se falarem mais de mim do que de Jesus Cristo, chame a atenção deles. Se sentir saudade e quiser falar comigo, fale com Jesus e eu ouvirei. Espero estar com Ele o suficiente para continuar sendo útil a você, lá onde estiver. E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase: ' Foi meu amigo, acreditou em mim e me quis mais perto de Deus!' Aí, então derrame uma lágrima. Eu não estarei presente para enxuga-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. E, vendo-me bem substituído, irei cuidar de minha nova tarefa no céu. Mas, de vez em quando, dê uma espiadinha na direção de Deus. Você não me verá, mas eu ficaria muito feliz vendo você olhar para Ele. E, quando chegar a sua vez de ir para o Pai, aí, sem nenhum véu a separar a gente, vamos viver, em Deus, a amizade que aqui nos preparou para Ele. Você acredita nessas coisas? Sim? Então ore para que nós dois vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver direito. Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. Eu não vou estranhar o céu. . . Sabe porque? Por que... Ser seu amigo já é um pedaço dele!

Vinicius de Moraes

sábado, julho 03, 2010

Remédio para Alma e para o Corpo!!!

A arte de não adoecer (Dr. Dráuzio Varella)


Se não quiser adoecer... "Fale de seus sentimentos".
Emoções e sentimentos que são escondidos, reprimidos, acabam em doenças como: gastrite, úlcera, dores lombares, dor na coluna. Com o tempo a repressão dos sentimentos degenera até em câncer. Então vamos desabafar, confidenciar, partilhar nossa intimidade, nossos segredos, nossos pecados. O diálogo, a fala, a palavra, é um poderoso remédio e excelente terapia.

Se não quiser adoecer - "Tome decisão".
A pessoa indecisa permanece na dúvida, na ansiedade, na angústia. A indecisão acumula problemas, preocupações, agressões. A história humana é feita de decisões. Para decidir é preciso saber renunciar, saber perder vantagem e valores para ganhar outros. As pessoas indecisas são vítimas de doenças nervosas, gástricas e problemas de pele.

Se não quiser adoecer, "Busque soluções".
Pessoas negativas não enxergam soluções e aumentam os problemas. Preferem a lamentação, a murmuração, o pessimismo. Melhor é acender o fósforo que lamentar a escuridão. Pequena é a abelha,
mas produz o que de mais doce existe. Somos o que pensamos. O pensamento negativo gera energia negativa que se transforma em doença.

Se não quiser adoecer, "Não viva de aparências".
Quem esconde a realidade finge, faz pose, quer sempre dar a impressão que está bem, quer mostrar-se perfeito, bonzinho etc., está acumulando toneladas de peso... uma estátua de bronze, mas com pés de barro. Nada pior para a saúde que viver de aparências e fachadas. São pessoas com muito verniz e pouca
raiz. Seu destino é a farmácia, o hospital, a dor.

Se não quiser adoecer..."Aceite-se".
A rejeição de si próprio, a ausência de auto-estima, faz com que sejamos algozes de nós mesmos.
Ser eu mesmo é o núcleo de uma vida saudável. Os que não se aceitam são invejosos, ciumentos, imitadores, competitivos, destruidores. Aceitar-se, aceitar ser aceito, aceitar as críticas, é sabedoria, bom senso e terapia.
Se não quiser adoecer..."Confie".
Quem não confia, não se comunica, não se abre, não se relaciona, não cria liames profundos, não sabe fazer amizades verdadeiras. Sem confiança, não há relacionamento. A desconfiança é falta de fé em si, nos outros e em Deus.

Se não quiser adoecer..."Não viva sempre triste".
O bom humor, a risada, o lazer, a alegria, recuperam a saúde e trazem vida longa. A pessoa alegre tem o dom de alegrar o ambiente em que vive. "O bom humor nos salva das mãos do doutor". Alegria é saúde e terapia.

Um excelente Domingo a todos...

sexta-feira, julho 02, 2010

Para qual seleção torcer agora?

Somos mesmo movidos pela emoção. Acabou o sonho do hexacampeonato para nós torcedores brasileiros, que nos cobrimos de verde e amarelo antes mesmo da copa começar. A expressão de esperança que tínhamos antes do jogo transformou-se em decepção. O jogo duro dos holandeses não impediu o Brasil de fazer um primeiro tempo de alto nível, mas o time comandado pelo “simpático” Dunga naufragou no segundo tempo e perdeu de virada por 2 a 1 para a Holanda nas quartas de final. Chegamos no momento que já esperávamos desde a convocação, reclamar, reclamar e reclamar. Pois é não deu para entender a nossa seleção no 2º tempo. Os jogadores mostraram desespero e desequilíbrio em campo. Voltamos para casa e com essa volta perdemos mais alguns dias de churrasco,de festas e reuniões com os amigos. Agora é se conformar com a derrota e pensar em outras seleções para torcer e não perder o clima da Copa. E o que é melhor, fazer isso sem sofrimento caso a equipe escolhida seja eliminada. Só vamos nos considerar pé frio, nada demais. Decididamente, esta não foi a copa das grandes seleções, então, para quem torcer agora? Eu já escolhi.

Uma antiga amiga do Eduardo

Na madrugada do dia primeiro de maio estava no meu encontro diário com o Eduardo através do blog quando vi que havia um acesso de uma cidade dos Estados Unidos que me chamou a atenção. Fiquei pensando quem seria essa pessoa interessada nesse humilde blog por tantos minutos. Quando criei o blog segui um conselho da terapeuta para que eu escrevesse sempre que sentisse necessidade em descarregar emoções. Fiz não só para me ajudar, mas também para dividir com os amigos e familiares lembranças de todos os momentos alegres que passamos juntos. Mas para minha surpresa o blog acabou tendo outra função, a de conhecer novas pessoas e resgatar amigos do Eduardo. Quando o conheci ele não tinha muitos amigos, mas tinha grandes amigos. Fui apresentado a alguns, outros apenas ouvi falar.

O mistério desse acesso dos Estados Unidos foi desvendado através do e-mail que recebi no dia seguinte:

De: Glaucia
Enviada: sábado, 1 de maio de 2010 3:31:21
Para: José Carlos Albernaz

De uma antiga amiga do Eduardo

Caro José Carlos, você não me conhece, mas eu era amiga do Eduardo desde a adolescência. Chegamos a namorar por quase um ano, e depois disso seguimos sendo amigos. Nós nos conhecemos no curso de inglês de Nova Iguaçu, ainda adolescentes, e estivemos em contato até 1999, quando voltei para os EUA. Apesar de a nossa amizade ter sobrevivido meus primeiros seis anos nos EUA, acabamos perdendo contato quando voltei para cá (morei no Rio de 96 a 99). Algumas vezes busquei um e-mail para entrar em contato com o Eduardo, mas nunca encontrei nenhum. Hoje voltei a procurar por ele na internet, na esperança de encontrar alguma coisa. O que encontrei me deixou chocada, como você pode imaginar. Nunca imaginei que fosse me deparar com a perda do Eduardo e pensar que no ultimo dia 18 me lembrei que era aniversario dele. Enquanto a notícia da perda do Eduardo ainda me tem meio "fora do ar", fico muito contente que ele tenha passado alguns anos com um companheiro que o amava. Ele merecia ser feliz. Alegra-me muito que ele tenha se assumido e se encontrado, e encontrado você. Nem posso imaginar a dor que você ainda sente, mas tenho certeza que, com o tempo, a dor vai diminuir, deixando as boas lembranças e te abrindo caminho para ser feliz com outra pessoa. Tenho certeza que era isso que o Eduardo ia querer. Um grande abraço e muita paz para você, Glaucia

Fiquei tão emocionado com essa surpresa e confesso meio desnorteado, tentando entender a grandeza desse fato. Um simples blog em homenagem a um companheiro foi capaz de me trazer uma amiga de um passado do Eduardo que sei tão pouco. Uma amiga que desde as primeiras linhas se mostrou tão querida que a partir daí iniciamos uma troca de e-mails diários. Da mesma forma que o Blog lhe mostra um Eduardo maduro, menos tímido e mais feliz, eu fico sabendo sobre sua fase adolescente, a Universidade e o início da sua formação.

De: Glaucia Silva
Enviada: domingo, 2 de maio de 2010 19:39:37
Para: José Carlos Albernaz

Eu conheci o Eduardo quando devíamos ter uns 15 ou 16 anos, no curso de inglês, como mencionei antes. Alem do curso de inglês, coincidimos de estarem os dois na Rural durante um ano (1982). Eu tinha entrado em 81 (em Eng. Florestal, o que eu chamo a minha vida passada), e ele começou veterinária lá em 82. Eu saí para fazer Letras, e foi nessa época que namoramos em 84 (quando eu já morava no Leme, onde meus pais estão até hoje). Nessa época também fazíamos alemão juntos (83 a 86). A Angélica, o Eduardo, eu e aquela minha quase prima (filha da minha madrinha) caímos na mesma turma de inglês a certa altura, foi aí que todos nos conhecemos. À medida que o tempo passava, ia tendo menos turma disponível, então quem continuava ficava mesmo junto assim eu e o Edu "sobramos" até o final do curso. Depois fomos fazer alemão juntos aos sábados na UERJ (a Angélica ficou em outra turma, deve ter entrado depois da gente). Fizemos todo o curso de alemão juntos, Edu, eu e meu pai (como era aos sábados, meu pai se entusiasmou e foi estudar com a gente). Hoje eu não falo uma palavra de alemão! rsrsrs No inglês e no alemão, tínhamos a companhia da Angélica--saíamos muito os três (muito pra mim, que não tinha vida social, sabe como é morar na Baixada não dá muita oportunidade de fazer o que a gente gostava que era ir a teatro e cinema). Cada um de nos estudava num colégio diferente em NI. Você conheceu a Angélica? Andei procurando por ela também, mas só tenho o telefone dos pais dela (não sei se ela ainda mora com eles). Desde ontem venho querendo ligar pra ela, mas estou tentando criar coragem--não pra dar a noticia do desaparecimento do Eduardo, que ela deve saber, mas para falar do assunto. Ainda não consegui vocalizar isso. Quando encontrei o seu blog, já era tarde, meu marido estava dormindo. Ontem passei o dia muito, muito triste, como vc deve imaginar (depois de praticamente não dormir), mas não consegui contar ao meu marido, nem telefonar para a minha mãe para dar uma noticia dessas.

Posso imaginar como deve ter sido difícil receber uma notícia assim. O Eduardo vivia correndo muito, trabalhava demais, sempre cobrei isso dele, desacelerar. Sempre deixava para depois ou que eu pudesse resolver coisas que só ele muitas vezes poderia fazer. Se parasse mais vezes, com certeza teríamos resgatado não só essa amizade com a Glaucia, mas com outros amigos que ficaram pelo caminho. Mas o “se” não existe, então coube a mim cuidar dessa valiosa herança que é sua amizade. E eu vou cuidar como cuido de todos aqueles que gosto, com muito carinho e atenção. Essa mesma atenção que ela tem me dado. Cativou-me o jeito sensível quando escreve. Passei a admira-la. Como disse Edu não tinha muitos amigos, mas tinha grandes amigos. E com certeza a Glaucia é um desses preciosos amigos que ele conquistou pela vida. Cada dia que trocamos emails fico conhecendo um pouco mais da história de vida dessa mulher batalhadora e corajosa. E temos nos dado tão bem que além de descobrir algumas afinidades, já traçamos planos para quando nos encontrarmos. Um longo abraço e um brinde em homenagem ao Eduardo, que nos aproximou. Mas enquanto aguardamos esse dia, o momento hoje é de lembrar o seu dia, e dizer parabéns pra você.

Beijos dos amigos José Carlos e Eduardo.

quinta-feira, julho 01, 2010

Ação de graças por um favor obtido


Deus, infinitamente bom, que vosso nome seja abençoado pelos benefícios que me concedestes. Eu seria indigno se os atribuísse ao acaso dos acontecimentos ou ao meu próprio mérito.
Bons Espíritos, que fostes os executores da vontade de Deus, e, sobretudo a vós, meu anjo guardião, eu vos agradeço. Desviai de mim a ideia de orgulhar-me pelo que recebi e de não aproveitar os benefícios recebidos somente para o bem.
Eu vos agradeço especialmente por ter conseguido passar na prova que tanto almejava. (citar o favor recebido)

Não devemos considerar como acontecimentos felizes apenas as coisas de grande importância. As mais pequenas na aparência são, muitas vezes, as que mais influem sobre nosso destino. O homem esquece facilmente o bem e se lembra daquilo que o aflige. Se registrássemos, dia a dia, os benefícios que recebemos sem tê-los pedido, ficaríamos espantados de ter recebido tanto e em tanta quantidade que até os esquecemos, e nos sentiríamos envergonhados com a nossa ingratidão.

A cada noite, ao elevar nossa alma a Deus, devemos nos lembrar dos favores que ele nos concedeu durante o dia e agradecer-lhe por eles. E sobretudo, no próprio momento em que provamos o efeito de sua bondade e de sua proteção que, espontaneamente, devemos testemunhar-lhe nossa gratidão. Basta para isto um pensamento que agradeça o benefício, sem que haja necessidade de interromper o trabalho que estejamos fazendo.

Os benefícios de Deus são consistem somente em coisas materiais. É preciso igualmente agradecer as boas ideias, as inspirações felizes que nos são sugeridas. Enquanto os orgulhosos acham nelas um mérito próprio e o incrédulo as atribui ao acaso, aquele que tem fé rende graças a Deus e aos bons Espíritos. São desnecessárias, para isso, longas frases: “obrigado meu Deus, pelo bom pensamento que me inspiraste”, diz mais do que muitas palavras. O impulso espontâneo que nos faz atribuir a Deus o que nos acontece de bom testemunha um hábito de agradecimento e de humildade que nos sintoniza com a simpatia dos bons Espíritos.

(Capitulo 28 do Evangelho Segundo o Espiritismo – Coletânea de Preces Espiritas)