A pequena cidade de Assaré é também conhecida como a terra da poesia popular. Já que seu único morador ilustre é o compositor, poeta popular e improvisador Patativa do Assaré. A cidade é bem cuidada e um rápido passeio pela praça já se viu tudo, mas sem antes de passar na grande atração da cidade que é o museu desse homem que é considerado uma das principais figuras da música nordestina. Um museu muito bem cuidado e com um acervo invejável. Foi bem divertida nossa visita à cidade, cheias de histórias contadas pela nossa guia Mônica.
quarta-feira, maio 12, 2010
Nova Olinda
Nova Olinda é considerada portal cultural do sertão. É maior que Assaré, mas tão pobre quanto. Lá conhecemos uma casa da cultura onde presta ajuda as crianças carentes e por tabela seus pais. Chama-se Fundação Casa Grande – Memorial homem do cariri. Um lugar bem interessante, onde as crianças aprendem a tocar instrumentos, fazer artesanatos, e a trabalhar como guias. Tem uma rádio local, enfim, pela primeira vez conhecemos de perto um dos lugares aonde se chega o dinheiro da campanha Criança Esperança. Lá comprei uma camisa com o símbolo da casa. A cidade também possui um rico artesanato em couro e um tipo de pedra que só se tira nessa região. Trouxemos até uma bandeja dessa pedra já que Edu se apaixonou por ela.
Exu, terra do Rei do Baião
Ceará faz fronteira com Pernambuco e a primeira cidade nessa divisa é Exu, cidade do sertão Pernambucano e terra de Luiz Gonzaga, rei do baião e do forró. Mas uma dica importante é se informar sobre museus e igrejas se esse for o interesse de visitação. Descuidamo-nos desse detalhe e por ser uma segunda feira, a maior atração da cidade não estava aberta e foi frustrante porque não podemos conhecer o Museu do grande e inesquecível Luiz Gonzaga. Logicamente ela vive das festas no mês de junho e nós estamos em maio. Se as outras cidades já eram pobres, Exu então é paupérrima. Valeram somente pelo trajeto da bela serra, com uma vista linda, belas paisagens nordestinas, muito mandacaru pelo caminho, gados e casebres de barro. Uma paisagem típica nordestina e ainda mais do sertão. Estávamos com fome e não achamos um lugar para comer. Exu não é uma cidade turística e não encontramos um restaurante ou lanchonete. Se não fosse uma padaria salvadora, teríamos seguido viagem à base de biscoitos. Nessa padaria compramos pão, presunto e queijo e pedimos a atendente para fazer um misto para nós. Sentamos naquela padaria e saboreamos aquele sanduiche como se fosse um almoço maravilhoso. Nada disso era problema para nós. Divertíamo-nos com bem pouco. E viajar com um companheirão é ainda melhor porque dá ideias, não se aperta e ri junto. Conhecíamo-nos pelo olhar. Não desistíamos de nada. “Topo” era nossa palavra de ordem. Foi divertido, pois ficamos conversando com as tímidas moças daquela padaria, sem entender direito o que estávamos fazendo por aquelas bandas tão distantes. Difícil explicar para um morador daquela pobre cidade que tudo ali era interessante para nós. Não estávamos ali para tentar convencê-la disso porque o olhar delas não era igual ao nosso. E nem sei se será um dia. Sempre tivemos curiosidade de conhecer esse Brasil. Esse Brasil da letra de “Asa Branca”, das fotos e dos livros. Sempre demos importância em conhecer as histórias dessas cidades pelos seus moradores, e foi assim que ficamos sabendo que há duas versões para o nome da cidade. Uma consideram que é uma corruptela do nome da tribo Ançu na nação dos cariris, e outra que os índios puseram o nome Exu devido a um tipo de abelhas denominadas Inxu. Só por esse bate papo na padaria já bastou à visita. E assim terminou nossa visita pelo sertão. Não era tempo de seca, portanto aquelas paisagens áridas e secas que sempre imaginamos, não vimos. Mas a pobreza esteve presente em todas elas, mas também vimos um povo bem valente e simpático. "O sertanejo é, antes de tudo, um forte" frase de Euclides da Cunha, do livro Os Sertões. Vimos isso de perto.
Subindo a serra de Baturité
Para se conhecer esse Ceará que faz frio, tem que subir a serra de Baturité e para isso é preciso voltar para fortaleza porque fica ao norte do mapa. Novamente uma bela paisagem, uma bela viagem, com uma estrada em melhores condições e cidades serranas bem bonitas. Mas tem que ficar atendo porque mesmo não sendo uma rodovia muito movimentada de carros, há que se preocupar com a grande circulação de boiadas. Nesses links que estou postando dá para ter a noção das boiadas que surgiram na nossa frente e nos fez ficar parado por um bom tempo. Um prato cheio para uma pessoa amante dos animais como Eduardo. Eu preocupado com os bois vindo em cima do carro alugado e Edu se divertindo. Dá para ouvir nossa voz nesse vídeo. Eu falava que era uma boiada e ele dizia que era uma estourada, tamanho a quantidade de bois que vinha em cima do carro. Pacoti - cidade feliz
Pacoti é a menor dessas cidades serranas. Bem pacata e tranquila, mas muito bem cuidada e com muito pouco para se fazer. E como estávamos com fome resolvemos comer num restaurante com paredes coloridas que chamava a atenção bem na entrada da cidade. Dessa vez tivemos a companhia de um cachorro. Edu como sempre achava graça nesses momentos e entre uma garfada e outra tirava as espinhas do peixe que estávamos comendo e dava com cuidado para o cão. Nós terminamos de almoçar, mas o vira lata ainda não estava satisfeito e Edu seguia procurando onde tinha carne para continuar alimentado o bicho. Até terminar com um “acabou rapaz!”. Era típico dele, agir de igual para igual com os animais.
Mulungu
Dirigir a noite por onde não se conhece não é uma boa ideia, ainda mais pela serra, com muitas curvas perigosas, portanto fomos atrás de um hotel para passar a noite. E fomos parar num autêntico pedaço germânico na serra cearense, o hotel HOFBRAUHAUS, localizado em Mulungu. A cidade tem esse nome estranho, mas ficamos sabendo que é uma árvore pertencente à família das leguminosas. Mulungu é atraente, pacata, de povo alegre e hospitaleiro e com um frio gostoso. E o hotel é incrivelmente charmoso. Edu falava alemão e era um apreciador da típica comida alemã então tudo veio a calhar. E realmente foi uma grata surpresa. Não tinha ninguém hospedado, um hotel só nosso, com uma vista linda para um vale e um quarto temático incrível. Realmente começávamos a sentir o frio da serra cearense. É um típico hotel para casais e por estarmos somente os dois ali, renovamos nossos votos de amor e felicidades saboreando um vinho e um jantar a luz de velas especialmente para nós. Uma verdadeira lua de mel. E não esqueceram nem o fundo musical na hora do jantar. Pareceu até que alguém tinha preparado tudo para nossa chegada. Uma noite perfeita. Não vou esquecer nunca essa noite especial que passamos ali. Quem for ao Ceará, não se esqueça de subir a serra e ficar nesse local, ele é mágico.
A bucólica Guaramiranga
Bonita, tranquila e aconchegante. Essas são três características que definem bem a cidade de Guaramiranga. Chamada por alguns de "Cidade das Flores", sua temperatura varia entre 18ºC e 25ºC, fazendo do clima o principal responsável por todo o espetáculo de flores que brotam na cidade. E para uma pessoa calorenta como o Eduardo, era motivo suficiente para se amar a cidade, que tem uma vida noturna incrível e conta com manifestações e eventos culturais de destaque como um festival de Jazz e Blues anual que ninguém acredita que possa acontecer naquela tão escondida serra. Há uma estrutura grande para turistas com vários hotéis e pousadas. Ficamos num localizado bem na entrada da cidade, onde poderíamos fazer todo o passeio a pé. Essa cidade tem uma parte histórica bem rica, e atrativos culturais importantes como as Igrejas de Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora da Conceição e o Convento dos Capuchinos. Passamos o dia todo conhecendo a cidade e a noite fomos aproveitar tudo de bom que a cidade oferece, boa comida, uma boa música e um bom vinho. Era motivo suficiente para mais um brinde por tanta felicidade.
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