Quarta-feira é o dia de a minha mãe me ajudar na arrumação e limpeza do apartamento. Quando o jardim está florido eu pego algumas flores e coloco na sala. Mas minha mãe fez melhor, passou a trazer três flores brancas que abrem lindamente e passou a colocar ao lado da foto do Eduardo. Depois que ela se vai, aproveito para acender um incenso e me sento ali em frente do porta retrato para rezar e quase sem querer me pego a conversar com ele. É meu momento de desabafo onde muitas vezes acabo chorando, mas ao mesmo tempo encontro muita paz e tranqüilidade. Sei que nesse momento ele está me envolvendo e me “potregendo”, pois era assim mesmo que ele falava quando eu precisava da sua ajuda.
sexta-feira, dezembro 16, 2011
sexta-feira, dezembro 09, 2011
Está começando meu carnaval!
Resolvidos alguns impasses, fomos finalmente às compras dos materiais para preparar as fantasias da nossa ala. Faz um ano que não piso naquela região do centro da cidade e confesso que ir ali nessa época do ano não é muito fácil. Não só pela multidão que se avoluma pelas ruas do Saara, mas pelas lembranças que me vêem a cabeça.
Desde que voltei a ter ala em escolas de samba, o Eduardo era meu parceiro também para essa etapa das compras. Era com ele que eu caminhava naquelas ruas, entrando e saindo de lojas com pesadas bobinas de tecidos e muitas sacolas nas mãos. Era com ele com que eu tirava minhas dúvidas, era ele quem me auxiliava quando precisava substituir algum material e sem falar na sua capacidade de fazer contas com rapidez impressionante. Nunca se aborrecia quando o carro vinha completamente cheio de mercadorias. Quando comprou o Eco Sport teve a capacidade de me dizer que só havia comprado para poder ter mais espaço para minhas bagulhadas carnavalescas.
Ir ao Saara nessa época natalina é uma sessão de lembranças por cada rua que passo e cada loja que entro. Difícil não lembrar onde ele queria parar para entrar e comprar suas agendas, a pequena loteria onde ele ficava na fila para jogar, o bar onde comíamos pão na chapa antes das lojas abrirem, a loja onde comprava seus damascos secos e tantas outras, pois aquela região era um grande parque de diversões para ele. Nessas horas era eu quem brincava dizendo que ele não estava ali para me ajudar e sim para fazer suas comprinhas. Mas como sempre tinha uma resposta na ponta da língua, me vencia ao responder que bastava ver a quantidade de bagulhada para saber quem era mais beneficiado. Me pego rindo quando lembro essas histórias quando passo em frente ao estacionamento onde deixava o carro.
Não é fácil segurar a emoção com essas lembranças, ainda mais quando sou eu que tenho que fazer as contas das quantidades de material que tenho que comprar. E quando acerto eu sei que foi sua ajuda providencial me inspirando a fazer o melhor.
quarta-feira, dezembro 07, 2011
Bem e mal sofrer
Quando o Cristo disse: Bem aventurados os aflitos, pois deles é o reino dos céus, não se referia àqueles que sofrem em geral, pois todos os que estão na Terra sofrem, estejam ou num trono, ou na extrema miséria. Mas poucos sabem sofrer, poucos compreendem que somente as provas bem suportadas podem conduzir o homem ao reino de Deus. O desânimo é uma falta. Deus vos recusa consolações se vos falta coragem. A prece é a sustentação para a alma, mas não é suficiente: é preciso que se apóie sobre uma fé viva na bondade de Deus. Jesus vos disse muitas vezes que não se colocava um fardo pesado sobre ombros fracos, e sim que o fardo é proporcional às forças, como a recompensa será proporcional à resignação e à coragem. A recompensa será tão mais generosa quanto mais difícil tiver sido a aflição. Mas é preciso merecer a recompensa e é por isso que a vida está cheia de tribulações.
Quando vos atinge um motivo de dor ou de contrariedade, esforçai-vos para superar isso, e quando chegardes a dominar os ataques da impaciência, da raiva ou de desespero, podeis dizer com uma justa satisfação: “Fui o mais forte”.
Bem aventurados os aflitos pode traduzir-se assim: Bem aventurados aqueles que tem a ocasião de provar sua fé, sua firmeza, sua perseverança e sua submissão à vontade de Deus, porque terão cem vezes a alegria que lhe falta na Terra, e depois do trabalho virá o descanso.
Pelo espírito Lacordaire – Havre, 1863 no Evangelho Segundo o Espiritismo
sexta-feira, dezembro 02, 2011
Feijões e Caminhadas.
Reza a lenda que um monge, próximo de se aposentar, precisava encontrar um sucessor. Entre seus discípulos, dois já haviam dado mostras de que eram os mais aptos, mas apenas um poderia sucedê-lo. Para sanar as dúvidas, o mestre lançou um desafio, para colocar a sabedoria dos dois à prova: ambos receberiam alguns grãos de feijão que deveriam colocar dentro dos sapatos, para então empreender a subida de uma grande montanha.
Dia e hora marcados, começa a prova.
APRENDA A COZINHAR SEUS FEIJÕES!.
Nos primeiros quilômetros, um dos discípulos começou a mancar. No meio da subida, parou e tirou os sapatos. As bolhas em seus pés já sangravam, causando imensa dor. Ficou para trás, observando o outro monge sumir de vista.
Prova encerrada, todos de volta ao pé da montanha, para consagrar o vencedor.
Após o festejo, o derrotado aproxima-se e pergunta como é que ele havia conseguido subir e descer com os feijões nos sapatos.
- Antes de colocá-los no sapato, eu os cozinhei. – foi a resposta.
Carregando feijões ou problemas, há sempre um jeito mais fácil de levar a vida.
Problemas são inevitáveis. Já a duração do sofrimento é você quem determina.
domingo, novembro 27, 2011
Haja Luz!
Eu nunca gostei muito de escuridão, já Eduardo sempre gostava de tudo na penumbra, a meia luz. Foi pensando na claridade, ou sua ausência que partimos para Benfica para comprar os primeiros objetos para o apartamento. E não há lugar melhor para procurar lustres que na rua dos lustres.
Íamos lá todos os sábados. Foi nessa rua que compramos todas as luminárias do apartamento. Para cada cômodo, devido ao tamanho diferenciado, foi escolhido o que melhor se adequava. Os spots foram paixão a primeira vista do Eduardo, ele queria uma luz indireta nas salas para ter um efeito que só as lâmpadas dicróicas têm: foco concentrado que iriam valorizar os objetos que nem tínhamos ainda, mas já passava pela cabeça dele como seria. E realmente fizeram toda a diferença. São as que gosto mais.
Tanto o lustre da sala de jantar quanto o dos quartos não são peças caras, mas são bonitos e dão destaque ao ambiente. Eles chamam a atenção. O mais engraçado de toda essa história da compra dos lustres foi sua colocação. Quem colocou todos eles foram nós dois. Era tal de descascar fios, prender lustre, colocar lâmpada, testar em todos os cômodos. Todos mesmo. Nenhum teve ajuda de eletricista. E alguns foram bem trabalhosos, pois como o teto é rebaixado de gesso, tinha que se cortar o gesso para encaixar perfeitamente o lustre e alguns não ficaram muito bem afixados. Pelo menos eu me preocupava com os gatilhos que o Eduardo teimava em fazer para conseguir colocá-lo no lugar. Ele tinha pressa em ver tudo colocado no lugar e assim foi feito. Uma batalha que devido a sua confiança, foi vencida sem nenhum transtorno ou dissabor. E foi com muita luz que o apartamento começou a ter uma cara. Continuo não gostando de escuridão. Que venha a luz!
terça-feira, novembro 22, 2011
Jamais esqueçamos do principal!
"Se Deus criou as pessoas para amarmos e as coisas para usarmos,
porque então amamos as coisas e usamos as pessoas?"
Conta a lenda que certa mulher pobre com uma criança no colo, passando diante de uma caverna ouviu uma voz misteriosa que de lá de dentro dizia:
"Entra e apanha tudo o que desejares, mas não te esqueças do principal. Lembra-te, porém, de uma coisa: depois que saires, a porta se fechará para sempre. Portanto, aproveita a oportunidade, mas não te esqueças do principal".
A mulher entrou na caverna e encontrou muitas riquezas. Fascinada pelo ouro e pelas jóias, pôs a criança no chão e começou a juntar, ansiosamente, tudo o que podia no seu avental.
A voz misteriosa disse novamente:
"Só tens oito minutos."
Esgotados os oito minutos, a mulher carregada de ouro e pedras preciosas, correu para fora da caverna e a porta se fechou... Lembrou-se, então, que a criança ficara para trás, lá dentro, e a porta estava fechada para sempre!!!
O mesmo acontece, às vezes, conosco.
Temos uns oitenta anos para viver neste mundo. Somos advertidos: "Não se esqueçam do principal!"
E o principal são os valores espirituais: a oração, a vigilância, a família, os amigos e a vida!!!
Mas a ganância, a riqueza, os prazeres materiais nos fascinam tanto que o principal vai ficando sempre de lado...
Assim, esgotamos o nosso tempo aqui, e deixamos de lado o essencial: "Os tesouros da alma!"
Que jamais nos esqueçamos que a vida, neste mundo, passa rápido e que a morte chega de inesperado.
E quando a porta desta vida se fechar para nós, de nada valerão as lamentações. Portanto, que jamais esqueçamos do principal!
quinta-feira, novembro 17, 2011
Gentileza
Eu nunca conheci uma pessoa tão educada e gentil como o Eduardo.
E ainda tem pessoas que acham que isso não faz diferença.
E ainda tem pessoas que acham que isso não faz diferença.
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