terça-feira, agosto 31, 2010

Preservar a alegria

Preserva a jovialidade na tua conduta.

Um rosto carregado reflete aflição, desgosto,

contrariedade.

Podes ser de atitudes retas e comportamento

sério, sem que te afixes à máscara contraída do

mau humor.

Jovialmente e com alegria, esparze bom ânimo,

irradiando o bem-estar de que esteja rico

o teu coração.

O tesouro de um comportamento jovial tem

o preço da felicidade que oferece a todas as

pessoas.


(do livro Vida Feliz de Divaldo Franco, pelo espírito de Joana de Angelis)

domingo, agosto 29, 2010

Resistirei


Quando perder todas as partidas
Quando dormir com a saudade
Quando se me fecharem as saídas
E a noite não me deixar em paz

Quando sentir medo do silêncio
Quando me custar manter-se em pé
Quando as recordações contra mim se rebelarem
e me puserem contra a parede

Resitirei, erguido frente a todos
me cobrirei de ferro para endurecer a pele
Apesar dos ventos da vida soprarem forte
sou como o junco que se dobra
porém sempre segue em pé
Resistirei, para seguir vivendo
suportarei os golpes e jamais me rendirei
e ainda que os sonhos se rompam em pedaços
Resistirei, resistirei

Quando o mundo perder toda a magia
quando meu inimigo for eu mesmo
quando me apunhalar a nostalgia
e não reconhecer nem minha voz
quando a loucura me tomar
quando o diabo der as contas
ou se alguma vez me faltar você

resistirei,

(letra da música resistiré – duo dinâmico)



Desatando nós.

Sinto minha vida amarrada em vários nós. Desato um e por baixo dele ainda tem muitos outros. Às vezes me sinto impedido de caminhar. Uns parecem tão apertados que preciso de ajuda para desatá-los. Esses me preocupam porque embora seja forte demais, só eu mesmo posso desarmá-los. Sei que deve ser questão de jeito para desfazê-lo, mas não é nada fácil.

Uma amiga me disse que não sabe como estou suportando tantas coisas ao mesmo tempo e diz que me admira por conseguir ter forças para prosseguir mesmo tendo perdido ao mesmo tempo duas coisas vitais para vivermos felizes: amor e trabalho. E finalizou dizendo que não gostaria de estar na minha pele. Assustei-me, mas não levei a mal o comentário. Sei que estou levando do jeito que posso, tento não desanimar. Estou me esforçando para continuar nessa busca para dar um jeito na minha vida.

Essa mesma vida que mudou completamente. Na verdade ela está parada. Estou tentando pegar um atalho para ver se lá adiante encontro tudo o que tinha antes. Não o amor porque não estou à procura de um, mas quero reencontrar as coisas que me davam prazer. As coisas ficaram difíceis demais e tenho sempre que pensar muitas vezes para não dar um passo errado e cair de novo no buraco que me encontrava. Nas minhas angustias e nos medos eu tinha com quem conversar e pedir ajuda em como proceder. Agora essa ajuda vem através dos meus pensamentos, de certa forma ele continua me ajudando, sinto isso porque algumas decisões que nem passavam pela minha cabeça acabam sendo decididas assim, através de intuições. Sinto-me forte e certo do que fazer. É nesses fatos que me alimento para poder acertar.

Gostaria de ter a minha vida de volta. Não a vida a dois porque não tem como, mas a rotina que tinha, de fazer coisas simples como ir ao cinema, teatro, show, passear, beber num bar, jantar fora, bater perna, ouvir música, ver filmes na TV, passear. Algumas coisas perdi a vontade, outras não consigo fazer sozinho e algumas não posso fazer para não gastar dinheiro. Esses prazeres que o dinheiro traz posso aprender a passar sem. Não sou de me lamentar, nunca fui. Nem para sofrer. Tenho coisas bem mais sérias para me preocupar e resolver. Não me divirto com o sofrimento, mas às vezes as recaídas me fazem ter esse sentimento. Normal. Quando estamos felizes tudo fica mais leve e fácil, mas quando não estamos tudo fica mais difícil.

Encontrar forças não é fácil, mas quando menos a espero aparece. Antes dizia que não sabia de onde vinha, hoje imagino de onde vem. De alguém que prometeu que nunca iria me deixar só e que sempre estaria ao meu lado porque nós dois éramos um. Nossa relação era muito bem estruturada, sozinhos não éramos nada, mas juntos realizamos muitas coisas. E vem dele as ações que devo tomar. Mesmo quando alguém que pouco me conhece vem me ajudar diz que está fazendo tal gesto porque o Simonato gostaria que fizesse. Não tenho dúvidas sobre o quanto nossos pensamentos estão em harmonia.

Se fosse um casal hetero com filhos, com certeza o fato de ter uma criança seria um motivo a mais para lutar e ter força para seguir adiante. No meu caso a força precisa ser maior por que não se deixa esses laços numa relação assim. O que fica do companheiro são as lembranças. E como nesse passo em que estou dando preciso de motivação para seguir em frente, é por essas lembranças e pelos meus pais que preciso continuar tendo forças. Tenho precisado muito deles ultimamente, acho que voltei a dar trabalho como quando era criança. Minha mãe então nem se fala, incansável comigo. Por mais que diga que não precise, ela não me ouve e vem me ajudar com sua comida, dar um jeito nas coisas e me fazer companhia. É a ajuda mais valiosa que posso ter nesse momento, amor e carinho. Cada vez que a vejo aqui me sinto forte e protegido. Ela é meu exemplo de força e coragem.

Fico pensando como seria a vida deles se eu tivesse partido. Com certeza o Eduardo estaria dando todo apoio ao Seu Orlando e a Dn Zila. A relação deles era muito bonita e Edu era tão afetuoso que estaria ao seu lado para dividir a dor da tristeza e da saudade. Estariam unidos, se ajudando para suportar a ausência.

É pensando assim que minha motivação será essa, fazer o que ele gostaria que eu fizesse. Somente por eles vou lutar para desatar todos os nós da minha vida.

Oração a "Nossa Senhora Desatadora dos Nós”

Virgem Maria, Mãe do belo amor,
Mãe que jamais deixa de vir
em socorro a um filho aflito,
Mãe cujas mãos não param nunca
de servir seus amados filhos,
pois são movidas pelo amor divino
e a imensa misericórdia
que existem em teu coração,
volta o teu olhar compassivo sobre mim
e vê o emaranhado de nós
que há em minha vida.
Tu bem conheces o meu desespero,
a minha dor e o quanto estou amarrado
por causa destes nós.
Maria, Mãe que Deus
encarregou de desatar os nós
da vida dos seus filhos,
confio hoje à fita da minha vida em tuas mãos.
Ninguém, nem mesmo o maligno
poderá tirá-la do teu precioso amparo
Em tuas mãos não há nó
que não poderá ser desfeito.
Mãe poderosa, por tua graça
e teu poder intercessor
junto a Teu Filho e Meu Libertador, Jesus,
recebe hoje em tuas mãos este nó.........
Peço-te que o desates para a glória de Deus,
e por todo o sempre.
Vós sois a minha esperança.
Ó Senhora minha,
sois a minha única consolação dada por Deus,
a fortaleza das minhas débeis forças,
a riqueza das minhas misérias, a liberdade,
com Cristo, das minhas cadeias.
Ouve minha súplica
Guarda-me, guia-me,
protege-me, ó seguro refúgio!
Maria, Desatadora dos Nós, roga por mim.

sexta-feira, agosto 27, 2010

Só esquecemos aquilo que sabemos

Outro dia ouvi alguém dizer que era feliz e não sabia. Pois eu sempre soube que era feliz.


Ué, mas se vivi outras vidas, porque não me lembro delas?

De fato, nós habitualmente não nos lembramos de ter vivido antes, o que não é o mesmo que dizer que não tivemos outras existências. Podemos esquecer um presente ganho num aniversário há cinco ou seis anos e, no entanto o presente se for durável, continua por ai, provavelmente em alguma gaveta.

É bom que esqueçamos mesmo, a fim de aproveitar a oportunidade de dar início a uma existência como se estivéssemos abrindo um novo caderno de muitas folhas em branco, no qual podemos escrever nossa história. É bom ignorar que tivemos graves problemas, no passado, com a pessoa que hoje é nossa mãe, irmão ou aquela irmã mais difícil. Ou que tenha enganado vilmente a linda menina que agora é sua filha, ou ficado com a herança que, de direito, pertencia àquele genro que você não queria que se casasse com sua filha.

É que as famílias são, quase sempre, arranjos combinados no mundo invisível entre as diversas personagens de um drama ou de uma tragédia antiga, para que acertem suas diferenças pelo relógio cósmico do amor ao próximo, a fim de que todos sejam felizes um dia. Nascem ao nosso lado, ou nascemos nós juntos de adversários, vítimas ou desafetos de outrora, aos quais prejudicamos gravemente ou que nos tenham criado também dificuldades e sofrimentos, perfeitamente evitáveis, se todos tivessem agido de maneira correta. Nascem, também, é claro, conforme nossos méritos, pessoas maravilhosas, a quem amamos profundamente e respeitamos, mas isto é quase exceção, não a norma, pois não disse o Cristo que primeiro tínhamos de nos conciliar com o adversário? E que não sairíamos de lá, ou seja, do sofrimento, enquanto não houvéssemos resgatado o último centavo da dívida perante as leis do amor?

Então a família é o campo de provas, onde encontramos amigos e desafetos. Os primeiros nos trazem o gostoso refrigério de sua afeição, num relacionamento agradável e construtivo. É facílimo amá-los. Os outros, não. São pessoas difíceis, que inconscientemente guardam de nós rancores ainda não superados, ou mágoas que não conseguiram vencer. É muito mais difícil amá-los, convertendo sua atitude negativa, por nós em um relacionamento afetivo, desarmado e genuíno.

“amai vossos inimigos” disse Jesus. “Fazei o bem àqueles que vos odeiam, bendizei aos que vos maldizem, rogai pelos que vos maltratam.”

“Se amais aos que vos amam que mérito terá? Pois também os pecadores amam àqueles que os amam.”

Essa filosofia, aparentemente tão estranha, tem profundas motivações. Com aqueles a quem amamos, não há problemas a resolver. Já é nossos amigos, basta cultivá-los com carinho e respeito. Com aqueles que nos detestam, ao contrário, temos questões pendentes, ainda que conscientemente, as ignoremos. Por uma razão oculta, estamos juntos para que aprendamos a nos amar fraternalmente. E nisso lembramos, de novo, o Cristo, que nos disse outras palavras da maior importância:

“Reconcilia-te com teu adversário enquanto estás a caminho com ele”.

É certíssimo isso. Ele foi posto em nosso caminho precisamente para que nos reconciliássemos, convertendo adversário em amigo. É mais fácil realizar essa tarefa quando ignoramos as verdadeiras causas das divergências.

O esquecimento nos protege de certas angústias e evitáveis vexames. Imagina se em outros tempos tenha degolado ou envenenado a sangue frio a menina que hoje pode ser sua filha predileta? E que, aliás, nem liga para você, porque ainda guarda certas desconfianças a seu respeito? É bom esquecer mesmo, porque quando é muito grande o peso da culpa, o remorso ameaça esmagar-nos e paralisar a ação reparadora.

Bem, ai está algumas das principais razões pelas quais nos esquecemos das vidas anteriores, a fim de podermos começar outra, como se nada tivesse acontecido.

(Capítulo 14 do Livro Nossos filhos são espíritos, de Hermínio C. Miranda)