Naquela noite eu não imaginava
que você só estava me esperando para fechar os olhos e dormir. Nunca penso no
pior, não sei se para me iludir ou para me fortalecer, mas a verdade é que eu
não acreditava que você fosse partir, mesmo com todos aqueles aparelhos
atrelados ao seu corpo. Não me importava. Seus olhos falavam comigo e me seguia
pelo quarto como se esperasse de mim uma palavra de fortalecimento. Naquele momento
eu perguntava e respondia por você porque até esse dia dormíamos juntos no
mesmo quarto. Eu te conhecia mais do que qualquer outra pessoa. Nessa que seria
nossa última noite, nossa mãe estava deitada ao seu lado esquerdo e eu me
deitei do lado direito. Não sei se estava muito quente, mas lembro de que você
transpirava muito e resolvi abrir seu roupão e alisando seu peito olhei nos
seus olhos e respondi uma pergunta que mentalmente eu havia feito. “Dormi,
pode dormir, nós estamos aqui com você, não se preocupe, dormi”. Acho
que eram essas palavras que você estava esperando porque seus olhos foram se
fechando lentamente e você dormiu. A mãe ia chorar nesse momento e falando
entre os dentes eu disse que não chorasse. Permanecemos ali, deitados do seu
lado não sei porquanto tempo até ir chamar a médica para atestar que você
finalmente havia descansado. Saudades!
quarta-feira, outubro 03, 2012
quarta-feira, setembro 26, 2012
O mal é uma força com duas mãos
O
mal é uma força com duas mãos. Por um lado, leva a destruição para quem o
desejamos, se tal for o merecimento, por outro, volta-se contra nós mesmos de
forma sempre arrasadora, pois tal é a Lei de Causa e Efeito. Portanto, aquele
que se preocupa em desejar o que não lhe pertence (inveja), mantém ódio e raiva
de alguém e pensa em vingança, e por mais justo que lhe possa parecer esse
sentimento, cedo ou tarde vai sofrer as conseqüências de seus atos ou
pensamentos. O mal não tem controle, não é uma força que se pode dirigir para
esse ou para aquele lugar, pois onde cai, assim como uma bomba, espalha-se
levando a destruição ao seu derredor. Ao contrário, o amor vai formando um
cinturão de proteção, de bem estar e de alegrias sem fim. O mal é a certeza de
que plantamos uma fruta amarga e que em breve ela nos será oferecida em bandeja
de zinco.
Por isso, cuide de seus pensamentos, cuide do que sai da sua boca. Quando você acaba de pensar ou de falar, a coisa já está feita, já toma um rumo e vai construir ou destruir, perto ou distante e dificilmente tem volta. Não dá para segurar o mal, quando ele sai, já sai para destruir. Quantos estão separados hoje por causa de fofocas e palavras malditas?
Por isso, cuide de seus pensamentos, cuide do que sai da sua boca. Quando você acaba de pensar ou de falar, a coisa já está feita, já toma um rumo e vai construir ou destruir, perto ou distante e dificilmente tem volta. Não dá para segurar o mal, quando ele sai, já sai para destruir. Quantos estão separados hoje por causa de fofocas e palavras malditas?
As conquistas que fazemos com amor, com luta leal,
com desejo de vencer no bem, são para sempre, eternas mesmo. Já as conquistas
na base da inveja, do ódio, da vingança, da destruição de um lar, de uma
família, são chamas que queimam a alma, verdadeiro inferno de tormentos e
remorsos que quase sempre levam a um final trágico, seja através de doenças
nervosas, males físicos ou acidentes fatais.
domingo, setembro 23, 2012
Um domingo triste
Muito triste o domingo. Como
entender o ser humano racional que coloca veneno nas plantas? Com que sentido? Só
entendo que seja por perversidade. Que prestem contas sobre o crime que cometem
contra seres tão indefesos. Pois é, nosso visitante com dificuldade de visão
morreu envenenado. Não iremos mais ouvir seus miados quando se aproximava
avisando que estava com fome. Justo agora que já conseguíamos pelo menos afagar
seu dorso enquanto comia vagarosamente. Uma tristeza. Fique bem!
quarta-feira, setembro 19, 2012
Endoscopia e sonho
Precisei fazer uma endoscopia hoje e minha mãe foi me
acompanhando, pois um dos requisitos para esse exame além de estar em jejum por
oito horas é ir acompanhado. Nunca tinha feito esse exame e na presença da
enfermeira e do médico ele foi me falando do procedimento enquanto colocava
spray de xilocaína na minha garganta e injetando um calmante anestésico na
veia. Lembro que as últimas palavras que ouvi dele foi ter dito que a xilocaína
ia provocar um gosto ruim na boca e a medicação me deixaria sonolento. Desse
momento em diante não lembro nem como foi o exame nem como fui parar numa outra
sala com minha mãe ao meu lado me esperando acordar.
Os fatos que vou
narrar foram ditos pela minha mãe, mas lembro exatamente do que vivi nesse
momento de sonolência. Algo muito estranho, mas uma sensação de felicidade
muito grande. Quando fui acordando minha mãe perguntou se eu havia sonhado com
o Eduardo. Como ela sabia? Pois o fato mais curioso é que enquanto eu
vivenciava esse sonho minha mãe ouvia tudo que eu falava. Eu me lembro de estar
num carro amarelo, tipo táxi, com o Eduardo dirigindo por uma estrada bem
movimentada e cheia de curvas. Na verdade ele guiava, mas eu é que sabia o
local para onde estávamos indo. Conversávamos sobre muitas coisas e lembro que
eu repetia para ele que todos achavam que ele havia morrido. Ríamos muito e
chegamos num lugar que não consigo identificar onde, mas que eu já vi antes.
Ele estacionou e havia várias barracas de artesanato onde ele quis parar e eu
indiquei outra melhor mais a frente. Mas nós estávamos ali por outro motivo, procurávamos
uma igreja. Nessa rua havia duas igrejas em cada esquina, mas a que devíamos
entrar era a da esquerda. Havia uma imagem de Santo na porta que não lembro
qual e como estava muito cheia, havia uma fila para entrar. A outra igreja
estava com as portas abertas e as pessoas saiam carregadas como se estivessem
adormecidas. Eram carregadas por entidades que vestiam roupas de padres, mas
com cores mais vibrantes que uma batina preta. Eu não me lembro de ter entrado
na igreja, mas vi o Eduardo entrar, assim como vi minha amiga Teresa entrar
pelos fundos e não pela frente como todos os outros. Por algum motivo isso
gerou uma briga entre os dois, tanto que ao sair Teresa estava emburrada e foi
se sentar num banco onde eu tentava acalmá-la. Edu não veio falar com ela,
fomos embora no mesmo taxi amarelo com ele dirigindo e a última lembrança que
tenho desse sonho foi quando estávamos em cima do viaduto de Madureira e ele ia
me levando para casa, dizendo que eu não me preocupasse com nada, que ele
resolveria tudo para mim.
sexta-feira, setembro 14, 2012
Vinte e um anos
Hoje faria vinte e um anos que
conheci o Eduardo. Uma data muito importante para que passe como um dia qualquer.
Nunca foi um dia comum, pelo contrário, sempre gostamos de comemorar esse dia.
Agora me resta apenas às lembranças, e agradecer por ter convivido ao seu lado
por tanto tempo. Ter podido conversar sobre tantas coisas, ter podido ir a
tantos lugares, ter podido aprender tanto, enfim, amar e ser amado.
Sinto falta da sua atenção, mesmo
que às vezes fosse exagerada eu gostava. Acho que eu nunca me senti tão querido
por alguém. Seu carinho, sua atenção são sentimentos que não vou esquecer
nunca. Tinha uma disponibilidade que me cativava. Na verdade tudo que ele fazia
me cativava. Tinha gestos que nenhuma outra pessoa faria.
Falávamo-nos várias vezes ao dia.
Sempre me quis ao seu lado. Era um grudento e certa vez me irritei e com seu
jeito tão especial me disse: “Se você
acha que vai se ver livre de mim está completamente enganado. Eu não te largo
nunca mais!”
Engraçado como certas frases
ficam perdidas num momento da vida, mas essa tenho guardada dentro do meu
coração, pois é muito bom saber que está comigo, me fortalecendo, me amparando,
me guiando nessa caminhada que imaginava ser solitária. Obrigado por tudo que
me deu e continua me dando.
domingo, setembro 09, 2012
9 de setembro – dia do médico veterinário
Quem tem animal de estimação em casa sabe exatamente da
importância de termos um médico de confiança para nos ajudar e nos socorrer nos
momentos de aflição. Parabéns a todos eles que com sua dedicação e seu dom divino
estão sempre dispostos a ajudar nossos amados bichinhos em especial e aos donos
por tabela.
O Eduardo era um desses profissionais especiais, que tem o
dom divino de se comunicar com os animais. Quem o conheceu sabe do que estou
falando. Era um jeito todo especial de falar, de pegar, de acariciar, de
medicar, de vacinar que me encantava. Tive oportunidade de lhe acompanhar em
vários domicílios e algumas vezes mesmo que forçado, fiz a vez de seu auxiliar
e assim pude verificar de perto toda sua dedicação, disposição,
profissionalismo e principalmente seu amor pela profissão. Ele realmente nasceu
e viveu para cuidar de animais.
Sobre esse profissionalismo lembro um fato certa vez que de
certo modo me envergonho de ter feito, mas por outro lado, se o fiz foi porque
tinha certeza de que ele não aceitaria. E assim foi. Estávamos comemorando seu
aniversário com os amigos no nosso apartamento quando ele recebeu uma ligação
de sua cliente da Barra da tijuca. A cliente explicou o que estava ocorrendo
com seu cão e ele passou para ela os procedimentos que deveria fazer. Senti que
ele não estava mais relaxado depois da ligação. Com certeza sua cabeça estava
no animal doente e na sua dona. Horas depois a cliente voltou a ligar ainda
mais aflita. Eu propus a ele que dissesse a ela que procurasse uma clínica 24 h
para um atendimento mais rápido, dizendo que se encontrava em Nova Iguaçu.
Resumo: pedi que mentisse.
Lógico que ele não fez, nem faria. Pediu que eu segurasse as
pontas com os amigos e que tentaria voltar o mais rápido possível. Pegou sua
maleta e saiu. Tive a certeza que ele já havia pensado em sair na primeira
ligação, só não o fez porque talvez tivesse esperança do cão melhorar. Retornou
bem tarde, mas com um sorriso no rosto que me deu a certeza que tudo havia
terminado bem. Agora ele estava tranquilo, a dona do cão estava tranquila e o
cãozinho melhor. Ai pudemos cantar parabéns e cortar seu bolo. Esse era o
Doutor Eduardo.
domingo, setembro 02, 2012
Visita inesperada
O que fazer quando chega uma
visita que não estavámos esperando? E quando essa visita passa a ser diária? E
quando esse visitante anuncia-se ao berros? E se essa visita for um gatinho?
Muitas perguntas para poucas respostas. Ou você enxota e evita que essa visita
volte ou então tenta ajudar dando comida e água e corre o risco de ter aquele
serzinho todos os dias na sua porta.
É isso que está acontecendo já há
alguns dias, esse felino de pêlos dourados foi chegando de mansinho mas com uma força nos
míados impressionantes. Mas um aspecto nele nos chamou atenção: é cego. Por
enquanto é só uma impressão mas é nitido que ele não percebe nossa aproximação.
E agora, o que fazer com uma visita dessas? Estamos
em mais um dilema. Sabemos que não é de nenhum morador da rua, já que fica no
terreno da praça. Ainda não conseguimos pegá-lo no colo para ter certeza sobre
essa impressão ou mesmo tentar levá-lo a um veterinário. O fato de ser cego é
apenas uma preocupação a mais porque de fato já estamos envolvidos com ele.
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