terça-feira, dezembro 14, 2010

Cartões de Natal.

Primeiro cartão de Natal que dei ao Eduardo em Dezembro de 1991

Dizem que tradições não se acabam, mas se adaptam aos novos tempos. Quando menos percebemos já estamos adaptados há esses tempos modernos e com isso nem nos lembramos de quando foi à última vez que fomos a uma agência dos correios postar um cartão ou uma carta. A internet matou esse meio de comunicação.

Essa época do ano tinha filas nos correios. Esse veículo já pertence ao passado. Os cartões continuam existindo, só que com mensagens no power point ou mesmo sites específicos para o envio por e-mail dessas felicitações. Uma mensagem, um endereço de email, dois ou três cliques basta para enviar esse cartão ao outro lado do mundo em poucos segundos. Já a carta, tínhamos que torcer para que chegasse. É, tinha esse inconveniente, mas poderíamos coloca-la na base da nossa árvore para que todos pudessem ver o quanto somos queridos e lembrados. Já com o advento da internet, excluímos o texto em seguida ao lê-lo. Nada romântico essa situação, mas temos que nos adaptar a essa realidade.

Mas eu vou tentar fugir dessa modernidade esse ano. Vou experimentar novamente essa sensação de comprar um cartão bem bonito, pensar no que escrever e ir a uma agência para enviar esses votos para alguns poucos sortudos que tenho o endereço na minha agenda, que é de papel ainda. Felizmente também não me desfiz dessa tradição porque ela não me deixa na mão se a bateria acabar.



segunda-feira, dezembro 13, 2010

Conheça a história da Santa protetora dos olhos!

Acho que a primeira vez que vi alguém ter uma devoção por um santo foi quando ainda adolescente, passava finais de semana na casa dos meus padrinhos e lá tinha um altar em cima da porta com a imagem de Santa Luzia com uma luz vermelha que ficava acesa dia e noite. Minha dindinha Glória perdeu uma vista depois do nascimento dos seus filhos e para que não fosse acometida com o mesmo problema na outra visão, passou a pedir proteção a Santa, já que é a protetora dos olhos, janela da alma, canal de luz.

Conta-se que pertencia a uma família italiana e rica, que lhe deu ótima formação cristã, ao ponto de Luzia ter feito um voto de viver a virgindade perpétua. Com a morte do pai, Luzia soube que sua mãe queria vê-la casada com um jovem de distinta família, porém pagão. Ao pedir um tempo para o discernimento foi para uma romaria ao túmulo da mártir Santa Ágeda, de onde voltou com a certeza da vontade de Deus quanto à virgindade e quanto ao sofrimento por que passaria, como Santa Ágeda.

Vendeu tudo, deu aos pobres e logo foi acusada pelo jovem que a queria como esposa. Santa Luzia, não querendo oferecer sacrifício aos deuses e nem quebrar o seu santo voto, teve que enfrentar as autoridades perseguidoras e até a decapitação em 303, para assim testemunhar com a vida, ou morte o que disse: "Adoro a um só Deus verdadeiro, e a ele prometi amor e fidelidade".

Mas a devoção à santa, cujo próprio nome está ligado à visão ("Luzia" deriva de "luz"), já era exaltada desde o século V. Os milagres atribuídos à sua intercessão a transformaram numa das santas auxiliadoras da população, que a invocam, principalmente, nas orações para obter cura nas doenças dos olhos ou da cegueira.

Diz a antiga tradição oral que essa proteção, pedida a santa Luzia, se deve ao fato de que ela teria arrancado os próprios olhos, entregando-os ao carrasco, preferindo isso a renegar a fé em Cristo.

Em 2007 tive um problema na vista e diagnosticado como Herpes Ocular. Difícil tratamento me afastou do trabalho por 15 dias, impedido de ler qualquer coisa, de ver TV, enfim nada que cansasse a visão. Sem falar nos medicamentos, tanto via oral, quanto colírios e pomadas. Um suplicio que felizmente chegou a um final feliz e minha mãe me lembrou de que eu trabalhava numa rua paralela a Rua Santa Luzia, onde há uma igreja da Santa padroeira dos olhos. E foi para lá que me dirigi para agradecer a Santa Luzia pela melhora.



sábado, dezembro 11, 2010

Compras de Natal!

A cidade já está diferente, cheia de brilhos e cores, sinos, anjos, estrelas. Tudo isso espalhado nas lojas, que tentam a todo custo chamar nossa atenção. São vitrines com flores, fitas, neves, luzes de todos os tipos, nos convidando para entrar e gastar. Pois é chegado o momento de comprar presentes para os amigos e parentes, grandes ou pequenos não importa, vamos gastar tempo e dedicação nessa busca por conseguir algo para agradar a todos.

Com Edu não era diferente, não esquecia ninguém. Podia não ter na cabeça o que comprar, mas sabia para quem comprar. Uma lista que ia desde funcionários da clínica até os meus pais, passando pelos seus parentes. Gostava de ir às compras com ele. Muitas vezes pedia minha ajuda quando tinha dúvidas num presente. Isso raramente acontecia quando se tratava de presentes para a família, pois eu não conhecia a todos, ficava difícil palpitar. Nunca comprou o meu presente comigo por perto e a única vez que isso aconteceu o fez com tanto cuidado que eu não percebi. Normalmente ia sozinho para escolher o meu presente. Tinha prazer em presentear e mais ainda em perder tempo nas escolhas.

Ele adorava fazer compras, gostava tanto de ir ao SAARA quando aos shoppings mais luxuosos. Todo ano dizia que ia comprar os presentes antes de começar o formigueiro de pessoas nas lojas, mas isso nunca aconteceu. Enfrentávamos a movimentação de pessoas de um lado para o outro todos os anos. Felizmente dava tudo certo, ninguém ficava sem presente.

Ano passado deixou a todos nós sem presentes. Queríamos muito que o maior presente viesse com a sua recuperação. Mas eu não o deixei sem presentes. Dei-lhe uma calça e um livro de autoajuda. Esses foram meus últimos presentes para ele, uma pessoa que me deu de tudo nessa vida. Mas o maior presente que me deixou foi seu amor e carinho. Esses são para sempre!











sexta-feira, dezembro 10, 2010

DIREITO É DIREITO

Hoje é o dia da Declaração Universal dos Direitos do Homem que nada mais é do que um documento das Nações Unidas onde são enumerados os direitos que todos os seres humanos possuem. Essa declaração foi assinada em 1948 e começa assim: Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos.

Sim, todos nós temos direitos estabelecidos e garantidos por lei. Mas para chegarmos nesse ponto, um longo caminho foi percorrido. E com o passar dos anos os direitos dos homens continuam a ser discutidos. O respeito à Declaração significa um mundo mais justo e que proporciona às mesmas condições para todos. Quanto mais os direitos humanos forem divulgados e conhecidos, maior será a sua exigibilidade. Ao invés de colocar os 30 artigos que fazem parte do conteúdo da Declaração, vou colocar o samba da Vila Isabel de 1989 que retrata com poesia o sentido desses artigos.

É hora da verdade
A liberdade ainda não raiou
Queremos o direito de igualdade
Viver com dignidade
Não representa favor
Hoje, a Vila se faz tão bonita
E se apresenta destemida
Unida pelos mesmos ideais
Lutando com a maior sabedoria
Contra os preconceitos sociais
A Declaração Universal
Não é um sonho, temos que fazer cumprir
A justiça é cega, mas enxerga quando quer
Já está na hora de assumir (eu sei)
Sei que quem espera não alcança
Mas a esperança não acabará
Cantando e sambando acendo a chama
E sonho um novo dia clarear.
Clareou
Despertou o amor, que é fonte da vida 
Vamos dar as mãos e lutar
Sempre de cabeça erguida.
E quando o amanhã surgir, surgir
A flor da paz se abrir, se abrir
Será prosperidade
A brisa vai trazer mais alegria
No mundo haverá fraternidade.
Direito é direito
Está na declaração
A humanidade
É quem tem razão

terça-feira, dezembro 07, 2010

08 de dezembro - DIA DA FAMÍLIA

"Família é prato difícil de preparar"
(de "O Arroz de Palma", de Francisco Azevedo)

Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vem a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana saiu a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.

E você? É, você mesmo, que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for, não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades e antipatias que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona. E a gente chora mesmo. De alegria, de raiva ou de tristeza.

Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África e do Oriente e nos parecem estranhas ao paladar tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa.

Atenção também com os pesos e as medidas. Uma pitada a mais disso ou daquilo e, pronto, é um verdadeiro desastre. Família é prato extremamente sensível. Tudo tem de ser muito bem pesado, muito bem medido. Outra coisa: é preciso ter boa mão, ser profissional. Principalmente na hora que se decide meter a colher. Saber meter a colher é verdadeira arte. Uma grande amiga minha desandou a receita de toda a família, só porque meteu a colher na hora errada.

O pior é que ainda tem gente que acredita na receita da família perfeita. Bobagem. Tudo ilusão. Não existe Família à Oswaldo Aranha; Família à Rossini, Família à Belle Meunière, Família ao Molho Pardo, em que o sangue é fundamental para o preparo da iguaria. Família é afinidade, é à Moda da Casa. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito. Há famílias doces. Outras, meio amargas. Outras apimentadíssimas. Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir.

Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe e conta, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel. Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, por mais sem graça, por pior que seja o paladar, família é prato que você tem que experimentar e comer. Se puder saborear, saboreie. Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. Família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete.








Ronald

O primeiro parente do Eduardo que conheci foi seu primo Ronald. Aliás, já o conhecia de tanto que ele falava desse primo. No início cheguei até ficar com ciúmes. Tinha dúvidas que fosse primo. Mas bastou conhece-lo para perceber o motivo de tanta paixão. Ronald realmente é muito cativante e envolvente. Lembro exatamente quando fomos apresentados. A chegar ao seu atelier, pensei que se tratasse de um barracão de escola de samba, tal a quantidade de materiais, estruturas e peças que aos meus olhos parecia inacabadas. Foi só o primeiro olhar, conhecendo o Ronald e sabendo que era artista plástico, logo meu conceito e meu olhar tomaram outro rumo.

Tudo no Ronald é exagerado, seu sorrisão mal cabe no rosto, logo, tudo que o envolve é exagerado. Não seria diferente com as suas obras. Inconfundível. Um cara incrível. Falador, sensível, inquieto, amoroso, agitado, mas muito amigo. Difícil não estar perto dele e não se encantar. Um cara que não passa despercebido em lugar algum.

Convivemos demais com ele nesse inicio de relacionamento. Deu-me até um apelido, “Madureira”. Ficávamos no seu atelier todos os finais de semana e era uma mistura de circo com parque de diversão. Se quiséssemos um lugar tranquilo, não era lá que encontraríamos. O entra e sai de personagens naquele atelier era como se tivesse sempre uma festa pronta para começar. E era sempre uma festa, mesmo estando só os três. Fazíamos tantas coisas juntos, mas o que mais gostava era quando íamos à feira da Augusto Severo, no bairro da Glória para fazer compras para o almoço. Nada era tão simples com o Ronald por perto. Aqueles dois parecia se deliciarem com cheiros e cores das barracas e essas compras demorava mais que o devido. Quantas caminhadas nas paineiras para banho de cachoeira, comer em Santa Teresa. São muitas as lembranças desse tempo.

Outra lembrança boa foi ter passado um réveillon em Cascata (Distrito de Casimiro de Abreu) no ano de 1992. Ele tinha montado lá o que seria futuramente uma pousada e resolvemos ir para lá (Ronald, Eduardo, Stanley e eu). A farra estava completa. Chegamos com chuva, mas mesmo assim a viagem foi bem divertida com as bobeiras do Ronald e do Stanley. Ainda não havia luz elétrica na pousada, o que tornava o lugar ainda mais interessante e misterioso. Pouco tinha o que fazer a não ser usufruir da natureza, conversar, rir, comer e dormir. O silêncio só era interrompido pelo barulho do rio que passa pelo terreno. Foi à passagem de ano mais atípica da minha vida, mas nem por isso menos incrível. Não havia fogos para identificar a chegada do ano novo e nos abraçamos e brindamos sem nos preocuparmos com isso. Foi assim que chegou o ano de 1993. Esse vídeo que coloco aqui dá a noção do quanto foram maravilhosos esses dias convivendo com uma pessoa tão incrível como esse Ronald. Um cara que transpira, transpira carinho, afeto, generosidade, amizade, disposição, enfim, só em sentir seu abraço percebemos sua alegria nos envolvendo.

Claro que com o passar do tempo fomos procurando outro canto, nossas vidas tomaram outro rumo e acabamos por nos distanciarmos sem perceber. Já não subíamos mais a Rua Alice como fazia antes, nossa vida passou a ser a região oeste da cidade. Uma pena, mas a vida é assim mesmo, faz com que trilhemos caminhos diferentes, mas sem que se percam os sentimentos. Estes estão guardados para sempre no coração, não há distância que o mate.

Minha admiração por você é imensa! Felicidades!

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Minhas árvores de Natal

ASSISTA O VIDEO DA ÚLTIMA ÁRVORE QUE MONTEI

Dezembro chegou e para mim, uma das maiores alegrias é montar a árvore de Natal. Ter uma árvore montada é sinal que Papai Noel vai aparecer e nos presentear. Guardo essa sensação desde criança. Deixei de acreditar em Papai Noel faz tempo, mas não abandonei a tradição de montar o símbolo maior que representa o Natal.

Mas qual a data certa para montar a árvore? Li que varia de país para país. Aqui no Brasil muitas pessoas têm o costume de montar as árvores de natal no dia 6 de dezembro, Dia de São Nicolau, considerado o Papai Noel.

Sempre fui o responsável pela montagem da árvore e da desmontagem também (infelizmente!). E quando passamos a morar no recreio, eu sempre fazia uma árvore diferente, gostava de inventar uma para cada ano e Edu me ajudava nessas criações. Era uma diversão a parte colocar em cada cômodo do apartamento, um símbolo natalino.

Ano passado não montei árvore no recreio nem em Vaz Lobo. A única coisa que lembrava o Natal foi um Papai Noel enorme que Edu havia comprado e que coloquei na bancada da sala. Quando me perguntavam se não ia montar a árvore eu respondia que não precisava porque Papai Noel sabia qual presente nós gostaríamos de ganhar.

A mesa da ceia natalina vai estar ainda mais vazia esse ano e por isso ainda não tive coragem de pegar os enfeites para dar o clima na casa. Vou deixar as coisas acontecerem.