terça-feira, novembro 09, 2010

colecistectomia

Querido Pai todo poderoso, que dê aos médicos e as enfermeiras um lindo dia, o dia da cirurgia da minha mãe para que tudo corra bem.


No passado...

Quando seu cirurgião recomendava uma operação de vesícula biliar, você se lembrava de um amigo ou parente que fez a mesma cirurgia há alguns anos . Eles tinham uma cicatriz imensa e contavam da dor intensa que tiveram depois da cirurgia. Eles ficaram no hospital por uma semana sem poder voltar as atividades normais em menos de 6 semanas . Então você ficava preocupado em passar pelas mesmas coisas. Como fazer para ficar afastado do trabalho quase dois meses?

Hoje... há uma nova técnica cirúrgica com grandes vantagens

A remoção da vesícula biliar é uma das cirurgias mais praticadas , e a maioria já é realizada por via laparoscópica . O termo médico para este procedimento é colecistectomia videolaparoscópica.

Ao invés de incisões de 20 a 30 cm de extensão , a operação é realizada através de quatro pequenos orifícios de 0,5 cm no abdomen.

A dor pós-operatória é muito menor que a da cirurgia convencional.Geralmente o paciente fica um dia internado no hospital e retorna às atividades normais em 10 a 15 dias.

É SEGURO REALIZAR A CIRURGIA POR VIA LAPAROSCÓPICA?

Os riscos da cirurgia laparoscópica é identico ao da cirurgia convencional .Sendo que no método convencional corre-se um risco maior de formação de hérnia no local do corte.

HÁ RISCOS NA CIRURGIA VIDEOLAPAROSCÓPICA?

Apesar da cirurgia ser considerada segura , complicações podem ocorrer como em qualquer outra cirurgia.

O QUE ACONTECE LOGO APÓS A CIRURGIA DA VESÍCULA?

A cirurgia de vesícula é uma cirurgia abdominal e portanto um pouco de dor pós-operatória você deverá ter. Náuseas e vômitos podem ocorrer nas primeiras 12 horas.

Uma vez que a dieta líquida é bem tolerada ou não haja vômitos, o paciente poderá receber alta no dia seguinte.

Sair da cama já no pós-operatório é permitido e estimulado. Na manhã seguinte os curativos podem ser retirados e o paciente tomar banho.

Em geral a recuperação é gradual e progressiva . Voce deve sempre estar melhor no dia seguinte. Em uma semana deve retornar para retirar os pontos.

COMO É REALIZADA A RETIRADA DA VESÍCULA BILIAR?

O paciente é operado com anestesia geral.Feita uma pequena incisão no umbigo onde é introduzido uma agulha para encher a cavidade abdominal de um gás especial. A intensão é criar um espaço para que a cirurgia possa ser realizada. É então introduzido um tubo metálico chamado trocáter por onde é colocado o laparoscópio ( como um telescópio ) . Através deste é visualizada toda a cavidade abdominal.

Realizado mais tres pequenos cortes por onde são colocadas as pinças que vão ser utilizadas durante a cirurgia.

Em algumas situações especiais , é realizado RX do canal da bile durante a cirurgia para detectar pedras no canal da bile. Se estes forem detectados, deverão ser removidos ou durante a cirurgia ou após num procedimente realizado com endoscopia. (papilotomia endoscópica)

Ao final da cirurgia os cortes são fechados com um ou dois pontos na pele.


segunda-feira, novembro 08, 2010

Definição de Saudade!

Artigo do Dr. Rogério Brandão, Médico oncologista

"Como médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos de atuação profissional (...) posso afirmar que cresci e modifiquei-me com os dramas vivenciados pelos meus pacientes.
Não conhecemos nossa verdadeira dimensão até que, pegos pela adversidade,descobrimos que somos capazes de ir muito mais além.
Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde dei meus primeiros passos como profissional.
Comecei a freqüentar a enfermaria infantil e apaixonei-me pela oncopediatria.
Vivenciei os dramas dos meus pacientes.
Crianças vítimas inocentes do câncer.
Com o nascimento da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento das crianças.

Até o dia em que um anjo passou por mim!

Meu anjo veio na forma de uma criança já com 11 anos, calejada por dois longos anos de tratamentos diversos, Manipulações, injeções e todos os desconfortos trazidos pelos programas de químicos e radioterapias.

Mas nunca vi o pequeno anjo fraquejar.

Vi-a chorar muitas vezes; também vi medo em seus olhinhos; porém, isso é
humano!

Um dia, cheguei ao hospital cedinho e encontrei meu anjo sozinho no quarto. Perguntei pela mãe..

A resposta que recebi, ainda hoje, não consigo contar sem vivenciar profunda emoção.

"- Tio, disse-me ela, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores. Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade. Mas, eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta vida!'

Indaguei: - E o que morte representa para você, minha querida?

'- Olha tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e, no outro dia, acordamos em nossa própria cama, não é?'

(Lembrei das minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, com elas, eu procedia exatamente assim.)

- É isso mesmo.

"- Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira!"

Fiquei "entupigaitado", não sabia o que dizer.

Chocado com a maturidade com que o sofrimento acelerou, a visão e a espiritualidade daquela criança.

"- E minha mãe vai ficar com saudades, emendou ela."

Emocionado, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei:

- E o que saudade significa para você, minha querida?

"- Saudade é o amor que fica!"

Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um a dar uma definição melhor, mais direta e simples para a palavra saudade: É O AMOR QUE FICA!

Meu anjinho já se foi há longos anos, mas deixou-me uma grande lição que ajudou a melhorar a minha vida.

A tentar ser mais humano e carinhoso com meus doentes, a repensar meus valores.

Quando a noite chega, se o céu está limpo e vejo uma estrela, chamo pelo "meu anjo", que brilha e resplandece no céu.

Imagino ser ela uma fulgurante estrela em sua nova e eterna casa.

Obrigado anjinho, pela vida bonita que teve.

Pelas lições que me ensinaste.

Pela ajuda que me deste.

Que bom que existe saudade!

O amor que ficou é eterno."



Rogério Brandão
Médico oncologista clinico
RC Recife Boa Vista D4500



sexta-feira, novembro 05, 2010

Dia do cinema Nacional


Sempre fui um apaixonado por cinema, gosto de entrar no mundo da fantasia e se possível viver aquelas histórias. Você sai da vida real e entra no mundo da imaginação. Parece que a vida para naquele momento e só existe a fantasia. E é tão bom sonhar. O primeiro filme que assisti foi “O Sitio do Pica-pau Amarelo”, no cinema de Vaz Lobo em 1973, tinha 10 anos. Apaixonei-me pela história, pelo mundo que se apresentava na tela grande. Parecia que eu estava dentro do filme. Hoje em dia até podemos nos sentir assim devido ao 3D, mas no meu tempo, era sonhar, imaginar e acreditar. Deveria ser uma diversão cara, porque não me lembro de ter ido muito ao cinema quando criança. Lembro de ir à semana santa para assistir a “Paixão de Cristo”, e nas férias com os desenhos da Disney.

Os filmes nacionais eram os preferidos porque assistir filmes com legendas para uma criança não era tarefa muito fácil. Ou prestava atenção na cena ou ficava de olho nas legendas. Para um sonhador como eu, não há arte melhor que cinema para fantasiar a vida. Já adulto tornei-me um viciado, ia pelo menos duas vezes por semana e não havia um filme em cartaz que não tivesse visto.

Nunca fui ao cinema sozinho, ou pelo menos lembro muito pouco de ter ido só. Primeiramente fui levado pela minha mãe, pela minha madrinha, mais tarde com a turma do colégio, os amigos e nos últimos 18 anos com o Eduardo. Gosto de fazer comentários, sair falando sobre o filme, ainda mais se for bom, é algo incontrolável. É saber se o outro percebeu o mesmo que você, se também sentiu as mesmas emoções, se chorou ou riu nos mesmos momentos. Como crítico, adoro comentar detalhes, cenas, efeitos e atuação.

Teve uma época que guardava recortes de jornais sobre os filmes que mais gostava e alguns ingressos. Não tenho um estilo preferido, gosto de todos, romance, ficção cientifica, terror, comédia, drama, aventura, guerra, documentário, etc. Se me identificar, me transporto para dentro da tela e vivo aquela história como se fizesse parte dela. Acho que é essa a função do cinema: divertir, pensar e fazer sonhar.

Vários filmes marcaram a minha vida, além do primeiro. Quando completei 18 anos, “Emmanuelle” foi o primeiro filme pornô que assisti. Hoje em dia esse filme não tem nada de pornográfico, chega a ser engraçado imaginar que ficou censurado por vários anos. Alguém hoje em dia sabe o que é censura? Antes de cada filme havia um certificado identificando a faixa etária disponível para o público e escrito bem grande: CENSURA 14 anos.

Burlei essa faixa etária em dois filmes que não tinha idade: “Tubarão” e “Inferno na Torre” hoje em dia esses filmes passam até na sessão da tarde. E só consegui entrar porque esses filmes passavam em “cines poeirinha”, como eram chamados os cinemas pequenos e pobres. Ou melhor, eram aqueles que não faziam parte da rede Luiz Severiano Ribeiro. Nesses era fácil entrar, e assistir as famosas sessões dupla, normalmente um pornô e um filme de kung Fu.

Essa era uma época de cinema de rua e todos os bairros tinham o seu. Com o passar do tempo eles foram perdendo status e acabaram. Passaram a existir somente os de dentro de shopping e recentemente os multiplex. Por fora foram perdendo o charme, mas por dentro, o encantamento continua o mesmo, a sala escura, a mesma tela imensa que nos transporta para dentro da história e nos faz sonhar. Isso não vai mudar nunca.

Sem dúvida nossa maior diversão era ir ao cinema e Edu era um ótimo companheiro para isso. Tenho saudades do ritual de ficar parado em frente à bilheteria para discutirmos o que íamos assistir, de comprar os ingressos, de ficar na fila, comprar pipoca, de escolher um bom lugar e de segurar na sua mão quando o filme começava. Saudades de rir, dos comentários pós exibição, das discussões quando discordávamos, dos namoros quando a luz apagava.

Nosso último filme juntos foi “Bastardos Inglórios”, um filme que gostamos muito. Nesse período fui apenas três vezes ao cinema, já não tenho tanta vontade de embarcar num mundo de fantasia. O escurinho do cinema já não me proporciona os mesmo sentimentos juvenis de antes.

terça-feira, novembro 02, 2010

O Santo Nordestino - Padre Cícero

Quando pensamos em retornar ao Ceará em férias, tínhamos em mente conhecer um Ceará diferente, fora do roteiro turístico convencional. E se íamos começar pelo sertão, não poderia deixar de fora a cidade de Juazeiro do Norte, terra do Padre Cícero. E assim foi feito. Dois dias depois que chegamos à fortaleza já estávamos voando para lá. Chegamos num final de tarde e de cara já espanta porque embora faça parte do sertão, é uma grande cidade, e como tal tem um trânsito completamente caótico onde carros disputam espaço em ruas estreitas com ônibus, motos e bicicletas.

A cidade vive dessa devoção ao padre Cícero já sabíamos disso, portanto não tínhamos muitas expectativas com relação a ela. Mas é bem interessante caminhar pelo comércio e observar que em todas as lojas, sem exceção, há uma imagem do Santo na porta. De vários tipos e tamanhos. Mas não estávamos ali para ver réplicas e sim a original, que da janela do nosso quarto observávamos completamente extasiados. E só a veríamos de perto no dia seguinte. Ficamos imaginando como seria a cidade na época de peregrinação. Pois bem, fomos em maio e a romaria começa no dia 30 de outubro, terminando no dia de finados, por isso me fez relembrar da nossa passagem por lá.

Chegar à serra do horto (onde fica a estátua) somente de carro, pois a distância é longa, mas vale à pena, é de arrepiar quando vamos nos aproximando e confirmando seu gigantismo. O monumento tem 25 m de altura e é considerada a terceira maior estátua do mundo. A sua grandiosidade não está somente no tamanho, está também na energia e magnetismo impregnados em todo o local. Padre Cícero foi um dos responsáveis, pela emancipação e independência da cidade. Por conta do chamado "milagre de Juazeiro" (quando Padre Cícero deu a hóstia sagrada à beata Maria de Araújo, a hóstia se transformou em sangue), a figura do padre assumiu características místicas e passou a ser venerado pelo povo como um santo. Hoje a cidade é a segunda do estado e referência no Nordeste graças ao padre.

O sol estava escaldante, típico do sertão. Mal conseguíamos tirar fotos, pois era o sol do meio dia, portanto estava sobre nossas cabeças e do padim padre Cícero, o que dificultava para uma boa foto. Mesmo não sendo época de romaria, a quantidade de pessoas que visitam o local é grande, na sua maioria moradores das redondezas. Ficamos ali por um bom tempo, pedindo ao santo que nos abençoasse nessa viagem que estava se iniciando.

Metódico do jeito que sou não estava satisfeito com as fotos tiradas e além do mais queria uma de nós dois juntos. Ao aparecer uma família, pedi que batesse e finalmente a foto definitiva saiu. Felizmente, pois Edu estava impaciente e com muito calor. Mas não sem antes dar uma passada nas lojinhas para comprar tudo que diz respeito ao santo nordestino. Não sabíamos se um dia iríamos voltar, não podíamos desperdiçar nada, muito menos as lembrançinhas.

Mas com certeza a lembrança maior é de mais um momento junto, indo nos mais distantes lugares do Brasil, realizando sonhos, felizes.
Obrigado por ter sido um parceiro maravilhoso!



Hoje vamos rezar pelos nossos queridos.

Pai!... Ao longo da vida fui devolvendo à Ti muitos daqueles que amei...

Um a um, às vezes os mais idosos, as vezes os mais jovens, foram retornando para casa, deixando para trás saudades que até hoje me é difícil suportar; flores que trocastes de jardim, deixando em seu lugar o silêncio e a solidão...

Hoje quero pedir por eles, a todos que de uma forma ou outra estiveram ligados à mim nesta encarnação, para que os abençoe e guarde, a fim de que encontrem paz e serenidade no mundo espiritual.

Muitos deles, Senhor, não obstante o coração generoso, afastaram-se do corpo através de enfermidades dolorosas e incuráveis que lhes minaram as forças até o final, deixando na memória de todos o exemplo da coragem e da fé em Teus desígnios, sem esmorecimento...

Outros, Pai, deixaram para trás os mais belos e santos laços desencarnando em pleno vigor juvenil, desfazendo-se assim de pesados grilhões passados e retornando com a leveza das aves para os ninhos Superiores, para descansar e prosseguir...

Outros ainda, Senhor, deixaram o corpo como quem abandona fardo inútil após cumprida a tarefa, enveredando-se pelos caminhos da felicidade engalanados de luzes e valores, conquistados pelo trabalho santo a que se dedicaram na Terra, em favor de todos os seus semelhantes...

Representaram muito para mim... Para alguns eu pude dizer "te amo", para outros não... No entanto, pela importância que tiveram em minha vida, o meu amor há de lhes ser carinho constante no além, porque acredito que nada se desfaz com a morte do corpo, pelo contrário, se fortalece...

Que hoje, eu possa levar a todos eles o meu pensamento de ternura e gratidão, para que saibam, estejam onde estiverem, que não estão esquecidos na Terra, habitando em minha lembrança e em meu coração com a mesma força e a mesma sinceridade de antes!

Assim seja!

André Luiz, IDEAL André, 02.11.2002

segunda-feira, novembro 01, 2010

Minha mãe é mãezona!


Quando criança lembro-me de minha mãe participando das festas juninas da escola onde estudava, indo nas reuniões de pais, ajudando nas festas quando era preciso. Enfim, sempre a vi como uma pessoa amável e prestativa. Quando não conseguia dormir, ela me rezava e ainda colocava uma pena azul debaixo do meu travesseiro como proteção para bons sonos. Essa peninha quem havia dado era uma entidade que meu tio Orlando recebia e deu a ela para acalmar as crianças. Não sei que fim levou essa peninha, mas esse instinto protetor sinto até hoje.

Minha mãe sempre foi incansável, faz mil coisas ao mesmo tempo. Sempre preocupada com nosso bem estar. Acompanhava-nos em todos os lugares, mesmo quando já éramos “maiores”. Lembro que quando fomos desfilar pela primeira vez, isso em 1982, nos levou de madrugada para o desfile campeão do Império Serrano. Essa presença foi muito importante para termos segurança e conhecimento do que era certo.

Muito prestativa, sempre está pronta a ajudar a todos em qualquer situação. Não há hora nem dia. Sua força é um exemplo para mim, principalmente nos momentos limites como demonstrou na doença do meu avô, no acidente com meu tio Gérson, no momento difícil que minha avó atravessou até falecer e culminando na dor maior que imagino, quando meu irmão morreu. Não sei de onde tirou tanta força nessa sucessão de momentos tristes em tão curto espaço de tempo.

Felizmente vieram momentos de calmaria, de paz e tranquilidade. Pude retribuir um pouquinho de tudo que ela me deu nesse período, dando-lhe uma viagem para Porto Seguro. Passou a ser meu braço direito e muitas vezes os dois braços quando chega o período de carnaval. Auxilia-me desde as compras de material até na pior parte que é a confecção de centenas de roupas. Um período de muito trabalho que ela realiza com a maior competência e satisfação. Não consegue ficar parada, muitas vezes se oferece para ajudar. Como foi no período da doença do Eduardo, em alguns exames que eu não pude ir ela ficou ao seu lado. Não podia ser diferente. Os dois se gostavam muito. Tinham muitas afinidades, como cozinhar por exemplo. Se ele aprendeu muitas coisas com ela, ele lhe ensinou muitas coisas também, principalmente no trato com os animais. Tanto assim que ela passou a ser "aquela" a quem na rua chamam para tudo que diz respeito a cuidar dos animais.

No ano passado, quis lhe dar um presente especial, uma viagem para aproveitarmos o feriado e foi o que fizemos. Um mês antes eu e Edu ficamos pensando em qual cidade seria melhor, serra? Praia? Lagoa? Decidimos por Paraty porque tem praia, tem cachoeiras e montanhas. Resolvemos isso em outubro e fiz as reservas. Por um momento íamos desistir porque ao descobrir a doença, me preocupei. Mas Edu se sentia bem e disse que iriamos sim. Hoje sei que foi a decisão certa que tomamos porque foi uma viagem maravilhosa.

Saímos a tarde e pegamos um baita engarrafamento, mas nada que tirasse a alegria e as brincadeiras. Meu pai achando que seria um programa de índio e Edu sacaneando ele o tempo todo. Compramos vários pacotes de pipoca dos ambulantes que circulavam no meio do engarrafamento. Assim foi o início de um feriado muito alegre e que terminou com um café da tarde surpresa no hotel com a chegada da tia Ieda, Francisco, Patrícia e João. Nossa última viagem juntos e tinha que ser com ela.

Sempre foi importante retribuir todo carinho e amor que ela me deu a vida inteira. Não sei se sou um bom filho, mas sempre me esforcei para nunca decepciona-la nem envergonhá-la. Confio demais nela. Aliás, confiávamos porque era a única que tinha as chaves do apartamento. Era nossa cúmplice para todos os momentos. Quando comprávamos algo para o apartamento era a ela quem pedíamos para ficar. Quando precisamos instalar algo era ela quem recorria. Nunca me negou ajuda.

Quando eu cansado, perdendo as forças de ir para o hospital passar mais uma noite com o Edu, era ela quem me sacudia, me rezava e dizia “vai porque ele quer você ao lado dele”. Acompanhava-me até o metrô para me distrair e com certeza ficava a rezar emanando toda sua energia para que eu ficasse forte, como ela foi várias vezes. E Foi para ela quem liguei quando senti que Edu estava nos deixando. Eu perdido pela cidade sendo resgatado por amigos e ela saindo de casa para ir ao hospital para lhe dar um último adeus e por em suas mãos um terço.

Essa é minha mãe, uma pessoa de amor e bondade infinitos. Eu voltei a ser criança nessa fase solitária e ela é quem continua me fortalecendo, me alimentando, cuidando de mim. Acho que sua função será sempre essa, trazer alegria, força, coragem, fé e proteção. Tem feito por mim uma infinidade de coisas, que nem tenho como enumerar e agradecer. Muitas coisas ela adivinha ou percebe. Não me critica nunca, me dá forças e sinto que posso contar com ela sempre, a todo instante. Por isso, tudo que eu for fazer daqui para frente será pensando nela, só para ela. Não vou agradecer aqui porque faço isso a toda hora, mesmo ela dizendo que não precisa. Vou somente lhe dar os parabéns e dizer que não sei o que seria de mim sem você. Te amo muito!