quinta-feira, junho 10, 2010

Copa do Mundo de 2010

Assim como no carnaval, a cidade já está enfeitada para a grande festa que se inicia na África do Sul, A Copa do Mundo, um dos maiores eventos esportivos do mundo. E nós, brasileiros, festeiros por natureza, vamos parar o que estamos fazendo, esquecer tudo a nossa volta e ficar de olho nessa festa.

E não vai ser diferente no quintal de Vaz Lobo. Diferentes de outros anos sim, isso é fato, mas não na alegria e na torcida já que agora existem novíssimos torcedores que precisam vivenciar esse momento. Todos os tios e primos que festejaram juntos em outras copas lembram-se dessa nossa preparação para torcer. Assim como o restante do País, nós também nos reunimos em volta da tv, vestimos verde e amarelo, soamos cornetas, cantamos o hino mesmo que os jogadores não saibam, gritamos, xingamos, fazemos mandigas, bebemos, celebramos e torcemos. Principalmente para o Brasil se classificar para que essa nossa festa possa se esticar ainda mais. Não importa, o que queremos é ficar alegres nesses dias para podermos enfrentar a rotina do dia a dia. Pois são essas vibrações que os pequenos vão sentir agora, para que mais tarde possam se lembrar, assim como eu me lembro da festa que fazíamos nos dias de jogos da seleção. Como esquecer o papel picado jogado para o alto na sala da vovó a cada gol do Brasil, de decorar todo o quintal, de ouvir sambas enredos ao final de cada vitória, de ouvir dos supersticiosos que não poderíamos mudar de posição no segundo tempo, de não trocar a roupa para o próximo jogo, de cruzar os dedos num lance perigoso, de relaxar nos intervalos comendo tudo que faziam de comida para esse dia, de soltar fogos na vitória e na derrota, sim porque a tristeza pela derrota só demorava 20 minutos. Tudo era motivo para beber e ficar comentando os “se” tivesse feito isso, “se” tivesse acertado aquela bola. São infinitas lembranças de uma festa que se passa de quatro em quatro anos, mas que parece que foi ontem a última vez que fizemos tudo isso. Engano meu, as fotos estão ai para provar que daquelas cinco crianças vestidas de verde e amarelo, três já estão casadas e duas já tem filhos. E agora são para eles que todo esse ritual será feito, com a mesma alegria e diversão de sempre. Cartão vermelho para a tristeza, os chatos e os pessimistas. O torcer juntos é o que importa.

Enfim, mesmo para os que não sejam amantes de futebol, torcer pela seleção brasileira na Copa do Mundo é primordial, caso contrário você será um ET em todos os lugares que for após cada jogo. Por isso, se queremos que esse feriado prolongado se estenda além da primeira fase, vamos nos ligar nos jogos e nos prepararmos para a maratona. A nossa estreia como torcedores será no dia 15 de junho às 15h30min no jogo Brasil X Coréia do Norte. O Segundo jogo será Brasil X Costa do Marfim no dia 20 de junho também às 15h30min. O jogo Brasil X Portugal marcará a última participação da nossa seleção na primeira fase da Copa do Mundo 2010, e acontecerá no dia 25 de junho às 11h. Agora é torcer.




quarta-feira, junho 09, 2010

Um amigo baiano


No final dos anos 80 conheci dois divertidos baianos que estavam passando um feriado prolongado no Rio. Chamavam-se Berg e Lula. Foi uma amizade tão forte que meses depois estava eu indo de férias ao encontro deles em Salvador. Isso em janeiro de 1991. Fiquei hospedado na casa do Berg e alguns dias na casa do Lula. Levaram-me para conhecer todos os pontos turísticos de Salvador, e cada dia um amigo se dispunha a me levar para um lugar diferente. Com Lula passei não só à tarde em Itapuã, mas o dia todo, assim como me levou para conhecer a Ilha de Itaparica. Com Antonio Henrique conheci todas as igrejas, o farol e a cidade. Com Berg conheci as praias e fui a um ensaio do Olodum à noite no Pelourinho. Impossível não se apaixonar pelos cantos dessa cidade. Salvador é linda, ainda mais sendo apresentado pelos seus apaixonados moradores, ai tudo fica perfeito.

E nossa amizade se fortaleceu daí em diante e mesmo morando em Estados distantes, sempre nos comunicávamos, nunca perdemos o contato. Uma relação que começou despretensiosamente e por fim virou uma forte amizade, cheia de carinho e confiança. Receberam-me em suas casas me conhecendo tão pouco e pude retribuir essa confiança e esse carinho quando o Berg, tempo depois veio e ficou na casa dos meus pais. Conheceu meu irmão e essa afinidade também se estendeu a ele. A última vez que nos encontramos foi em 2000. Estávamos de passagem por Ilhéus e por uma coincidência incrível, Berg que havia se tornado oftalmologista clinicava na cidade, bem próximo à pousada. Foi um belo reencontro, já maduros e com tantas coisas para relembrar e novidades para contar. Embora eu e Berg tivéssemos mais afinidades no início da amizade, foi com Lula que tive mais contato durante esses anos todos.

Lula se tornou um anestesista importante em Salvador e vem ao Rio com muita mais frequência que os outros amigos baianos. Devido a isso nossa amizade sempre se renovava. Nunca deixamos de nos encontrar nessas suas visitas por aqui. Nessas vindas ao Rio, passou um Natal conosco em Vaz Lobo e conheceu nosso apartamento no recreio. Mas na maioria das vezes ficava hospedado em Copacabana pela facilidade de estar próximo de tudo. Pela sua história de vida, pela dificuldade de locomoção, Lula poderia ser uma pessoa triste e amargurada, mas pelo contrário, é um cara alegre, super divertido e realizado. Nunca o vi se lamentando. É um otimista por natureza e um vencedor.

Quando conheceu o Eduardo, foi mais um que se encantou pelo seu jeito e gostava de me provocar ciúmes. Edu adorava ser paparicado por aquele gozador. Preferia o apoio do Eduardo para andar, enquanto eu ia atrás. Adorava me provocar e essas piadinhas entre nós dois acabava virando uma grande brincadeira. Lula tem uma gargalhada imensa, que contagia. Seu alto astral é tanto que quando saíamos era ele quem nos chamava a atenção para estacionar nas vagas para deficientes. Como era engraçado o seu jeito de falar, sem peso ou incomodo sobre essa condição. Um cara realmente especial, um exemplo. Por isso prezamos muito a sua amizade por esses anos todos.

Voltei a Salvador em 2000 com o Eduardo e ficamos hospedados no apartamento do Lula. Retribuição de carinho de uma pessoa tão gentil como esse baiano de riso frouxo. E pude mostrar para o Eduardo toda a cidade que conheci por causa desses amigos. Salvador continuava linda e moderna, pelo menos para quem vem de visita.

Nosso último encontro foi em junho de 2007 quando passou seu aniversário aqui no Rio. Lembro que compramos de presente um porta retrato para colocar uma foto que tínhamos dos três juntos. Lula ficou bem emocionado e aquela tarde de sábado como sempre, foi mais um dia alegre e feliz. Fomos para Niterói conhecer o Museu de Arte Contemporânea e almoçamos por lá mesmo. Todo o museu e a vista em volta dele são belíssimos. E o sol daquele sábado ajudava ainda mais a compor aquela paisagem. Anoiteceu e a visão daquele museu ficou ainda mais esplendorosa. Aquele sábado não poderia ter sido mais perfeito, uma celebração especial para um amigo tão querido. Desde que o conheci nunca deixei de ligar para ele nesta data. Esse ano vou fazer diferente. Os parabéns vão ser por essa mensagem no blog. Não tenho coragem de ligar para felicitá-lo porque não sei se ele sabe que seu querido amigo faleceu. Espero que ele leia e saiba o quanto sempre foi querido por nós e continuará sendo para mim. Feliz aniversário meu amigo Lula Laranjeiras.



segunda-feira, junho 07, 2010

06 de junho aniversário do Landinho

Gostaria de lembrar do meu irmão hoje, no dia do seu aniversário. Muitos amigos nem chegaram a conhecer esse cara tão especial mas com um gênio tão difícil. Tinha realmente uma personalidade muito forte mas ao mesmo tempo era muito fácil de se conviver  porque era uma pessoa boa, de coração puro, bom caráter e muito divertido. Edu conviveu com ele pouco tempo, mas tenho certeza de que foi meu irmão que o recebeu nessa sua passagem. Vou tentar descrevê-lo e ai vocês vão saber porque tenho essa certeza.

Como irmãos fomos como qualquer outro, brigando muito, mas sempre juntos. Na escola era aquele aluno aplicado que prestava atenção nas aulas e não precisava estudar para as provas. Ficava impressionado com essa sua capacidade. Lembro que minha mãe insistia para ele estudar para as provas e ele rebelde dizia que não precisava. E não precisava mesmo, tirava sempre boas notas. Em casa tínhamos umas brincadeiras que eram só nossas, de irmãos mesmo, que se entendiam com uns códigos  de pura bobeira, mas  muito divertidos. Gostávamos das mesmas coisas, mas profissionalmente  seguimos caminhos opostos.

Sempre buscou o que queria, foi atrás, lutou e conseguiu. Teria ido muito mais longe se tivesse tido tempo. Seu melhor emprego foi no hotel Meridien em Copacabana e chegou a sub gerente noturno. Aprendeu tudo neste emprego. Cheguei a trabalhar com ele neste hotel nesse mesmo turno da madrugada. Um horário ingrato, das 23 às 7 hs da manhã. Eu não aguentei seis meses, mas ele não, ficou por lá anos. Era persistente, tinha força de vontade, era agitado, e parecia que o dia tinha muito mais do que 24 hs. Nunca vi uma pessoa fazer tantas coisas ao mesmo tempo e sem cansar. Parecia que tinha pressa em fazer tudo que pudesse. Descobriu o mundo e pessoas trabalhando nesse hotel. Decepcionado por nunca ter passado para gerente, outros com menos tempo de casa conseguiram, abandonou o trabalho e com o dinheiro foi conhecer a Alemanha, justo na época da queda do muro de Berlim. Nada mais apropriado para uma pessoa tão agitada como ele. Estando ali, aproveitou para conhecer alguns países que estavam a seu alcance não só pela quilometragem mas financeiramente. Aproveitou a vida como quis.

Quando voltou foi trabalhar na rua como camelô e tinha a mesma vontade, a mesma garra e disponibilidade como se ainda estivesse trabalhando de terno e gravata no hotel. Falava com os clientes da banca da mesma forma que falava seu inglês com as tripulações das empresas aéreas. Para ele não havia diferença alguma. Era feliz do mesmo jeito. Dava um capricho na barraca como se tivesse uma loja de luxo. Um batalhador, com um vigor, uma vitalidade e uma disposição como poucos.

Por isso sofreu quando o destino o desacelerou. Pare agora rapaz! - deve ter dito alguém lá de cima. Você já viveu tudo que tinha para viver com apenas 28 anos. Viu muito mais coisas do que muita gente com o dobro da sua idade. Foi um cara que nunca pensou no futuro, sempre viveu o hoje, o momento.  Era elétrico demais e aquele momento realmente foi terrível para uma pessoa como ele. Claro, ficou revoltado num primeiro momento. Todos nós ficamos. Mas ele foi buscar ajuda espiritual de todas as formas, igreja messiânica, evangélica, católica, cartomante, terreiro, e tudo mais que lhe proporcionasse bem estar. Tinha amigos em todas essas religiões e por isso não se furtou a procurar ajuda nesses lugares. E com essas ajudas ele encontrou a paz e se acalmou. É visível para mim essas fases que ele passou com a doença. Nessa última, que chamo de aceitação é que ele se foi. Estava pronto. Acho que nem Deus ia aguentar aquele seu jeito agitado. Porque ele realmente tirava todos do sério quando era contrariado. Mas era uma pessoa de um coração enorme, carismático e amigo. Era o tipo que tiraria a roupa do corpo para dar ao próximo se estivesse precisando. Todos que o conheceram sabe o quanto era uma pessoa alegre e divertida. Por todas essas suas qualidades é que sentimos muito a sua falta. Nunca o esquecemos.  Foi embora muito novo é verdade mas viveu intensamente, da melhor maneira possível. Da maneira que ele quis viver.

Orlandinho e amigos

sábado, junho 05, 2010

Dia do meio ambiente

Hoje é dia 5 de Junho, Dia do Meio Ambiente! É dia de espalhar mensagem por toda a Internet e pedir que preservem a nossa Natureza, as nossas matas e florestas, os nossos rios e mares. Vamos lembrar de cuidar do que é nosso não apenas hoje, mas todos os dias. Preserve, faça a sua parte. A humanidade agradecerá no futuro!

Acho que foi bem assim mesmo que tudo começou. Ainda em 1992 estava passeando com o Eduardo e quando ia jogar o papel de uma bala pela janela do carro ele estendeu a mão direita e pediu para que eu desse para ele. Tinha uma sacolinha presa na marcha para essa finalidade. Fiquei morrendo de vergonha. Era início da relação e estávamos ainda nos conhecendo, tentando mostrar nesse primeiro momento somente as qualidades e eu acabei pisando na bola. Mas Edu sempre foi muito educado, a reação dele foi sem alarde nenhum, não me chamou a atenção e nem me passou uma lição sobre o erro que eu estava cometendo em atirar lixo pela janela. Nem precisava, seu gesto tão bacana me fez ver isso e aprendi.

Mas ele não sabia tudo, nem aplicava na sua rotina diária algumas medidas para ajudar o planeta. Tinha o péssimo hábito de fazer a barba e deixar a água da torneira aberta sem estar usando.

Por isso fomos aprendendo juntos a ter esse olhar preocupado com a natureza, passamos a pensar um pouquinho sobre o destino do nosso planeta, e fomos tentando reduzir alguns desperdícios.

Parece bobagem falar em respeito ao meio ambiente. Mas, no entanto muitas pessoas não sabem se comportar em ambientes naturais. Ou porque não foram educadas para isso ou não percebem o quanto o meio ambiente é frágil e delicado ou porque simplesmente não querem. Não podemos limpar essas áreas diariamente como se faz nas grandes cidades. A recuperação de uma área natural degradada pode levar anos, ou séculos, por isso a regra do excursionismo está mais atual do que nunca: “não tire nada a não ser fotografias, não deixe nada a não ser pegadas”.

Em todas as nossas viagens sempre buscamos estar em contato com a natureza. E sempre tivemos em sintonia como o meio ambiente. Não éramos um estranho naquele lugar. E nessas andanças vimos de tudo e algumas vezes visões nada positivas. Mesmo visitando lugares turísticos, sempre muito bem cuidados, algumas vezes vimos em nome do desenvolvimento à mata nativa ser derrubada brutalmente para a construção de estradas para o bem estar dos seres humanos, por exemplo. Vimos condomínios sendo construído onde havia morada de animais silvestres. São apenas exemplos para que possamos pensar melhor sobre a necessidade deste dito desenvolvimento, e o que estamos fazendo para cuidar dessa nossa moradia. São Francisco de Assis diz uma frase assim: “Comece fazendo o possível e logo você estará fazendo o impossível”. Basta querermos.



sexta-feira, junho 04, 2010

Em sintonia com o meio ambiente


É triste pensar que a natureza fala e que o gênero humano não a ouve.
Victor Hugo